'Mexeu com a estrutura da gente', diz vizinha da Suggar que terá de deixar casa após incêndio
Imóvel onde Elisângela Silva vive há mais de 30 anos com a mãe de 91 anos foi interditado pela Defesa Civil; família busca moradia temporária com custos pagos pela empresa

Três dias depois de acordar em meio a chamas e correria durante o incêndio que atingiu a fábrica da Suggar, no bairro Olhos D’Água, região Oeste de Belo Horizonte, a assistente administrativa Elisângela Silva Braça, de 47 anos, se prepara para deixar a casa onde vive há mais de 30 anos. O imóvel da família, vizinho ao galpão onde o incêndio começou, foi interditado pela Defesa Civil. Sem previsão de retorno, ela e os familiares terão de se mudar para outro local.
“É complicado porque a minha vida está toda aqui, toda a minha família. Tenho três irmãos no bairro, um inclusive na mesma rua. A nossa mãe mora aqui. É um que ajuda o outro”, afirma.
O imóvel, na rua Professor Otílio Macedo, fica ao lado da fábrica atingida pelo fogo na madrugada de sexta-feira (7). Nesta segunda-feira (10), enquanto a fumaça ainda sai de pontos entre os escombros, a família busca uma nova casa para morar. A Suggar, dona da fábrica, informou que irá arcar com todas as despesas de aluguel.
Elisângela, a mãe de 91 anos, uma irmã e outros familiares estavam ficando temporariamente na casa de um irmão, na mesma rua. A rotina da família também gira em torno da mãe da assistente administrativa, que tem Alzheimer e dificuldade de locomoção. Segundo ela, os familiares se dividem nos cuidados com a idosa enquanto os demais trabalham.
“Como que você tira uma idosa de 91 anos? Eu trabalho aqui, minhas irmãs trabalham perto. Mexeu com a estrutura da gente”, diz.
Sem saber quanto tempo ficará longe, Elisângela tenta encontrar uma nova rotina para uma família que sempre viveu próxima, no mesmo terreno e nas ruas vizinhas.
“Eu já gostaria que derrubasse e eu já voltasse para casa. Mas eles precisam fazer as vistorias, investigar. Menos de três meses eu não tenho essa esperança”, afirma.
No dia do incêndio, Elisângela estava com a mãe, quando foi avisada por um vizinho de que a fábrica estava pegando fogo. Ela conta que, ao abrir a porta da sala, já viu as chamas próximas à residência.
“Eu fui ao quarto, minha mãe estava dormindo com a minha irmã. Eu falei: ‘Maria, esse lugar está pegando fogo, vamos sair correndo’. Só que minha irmã não assimilou. Ela sentou na cama e eu falei: ‘Não é hora de você passar mal’. Aí ela pegou a minha mãe e saiu correndo”, relata.
Além da família de Elisângela, outros moradores da região terão que buscar novas moradias temporárias.
O Hoje em Dia entrou em contato com a Suggar questionando quantas famílias foram afetadas e aguarda retorno.
Em nota enviada ontem, a empresa informou que realizou o cadastro das pessoas afetadas e mantém contato direto com os moradores do entorno da unidade para prestar o suporte necessário.
“Nos próximos dias, também serão disponibilizados atendimentos médico e psicológico aos moradores que necessitarem desse suporte. A Suggar aguarda a conclusão do trabalho da Defesa Civil para os próximos passos”, escreveu a empresa.
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