Aporte

Minas deve receber R$ 38 bi em investimentos ferroviários nos próximos 30 anos, diz diretor da ANTT

Fórum Ferroviário em BH reuniu autoridades públicas, representantes da indústria e operadores logísticos para discutir a retomada do setor ferroviário no Brasil

Do HOJE EM DIA
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 06/05/2026 às 13:43.Atualizado em 06/05/2026 às 13:50.
 (Frederico Haikal)
(Frederico Haikal)

Minas Gerais deve receber cerca de R$ 38 bilhões em investimentos voltados para projetos ferroviários nos próximos 30 anos. A informação foi confirmada pelo diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alexandre Baumgartner, nesta quarta-feira (6), durante o 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais, promovido pela Fiemg.

Segundo Baumgartner, os investimentos em projetos ferroviários estão dentro de um pacote de aportes no Estado, que também prevê R$ 62,5 bilhões destinados a rodovias mineiras. "Minas Gerais é atualmente prioridade nos investimentos nacionais em infraestrutura. A logística é a base de tudo, e o estado é um grande eixo de conexão nacional", afirmou. 

O investimento será destinado à renovação e ampliação de trechos estratégicos operados por concessionárias como a MRS, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Segundo o diretor da ANTT, o escoamento da produção agrícola e industrial brasileira tornou a expansão dos trilhos "indispensável", uma vez que "um único trem pode substituir entre 800 e 900 caminhões nas estradas".

Segundo a Fiemg, o minério de ferro representa 75,8% de toda a carga transportada na malha ferroviária mineira. Um dos principais desafios discutidos no fórum foi a diversificação desse fluxo, abrindo espaço para produtos industrializados, agronegócio e o transporte de passageiros. 

O secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno Barros de Souza, destacou que o momento é decisivo para a competitividade mineira. Além disso, o chefe da pasta citou a melhoria do fluxo nas rodovias e a redução de emissões como benefícios diretos, mencionando ainda os R$ 2 bilhões aplicados no metrô de Belo Horizonte como parte desse esforço de modernização.

"Somos a terra do trem e vamos viver o maior boom de investimentos ferroviários da história de Minas", declarou.

De acordo com Davi Barreto, diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o custo médio do frete sobre trilhos pode ser até 50% menor que o rodoviário. "O Brasil ainda utiliza pouco as ferrovias diante de suas dimensões continentais. Hoje, cerca de 20% da matriz de transporte está sobre trilhos; precisamos avançar para 40% ou 50%".

O presidente em exercício da FIEMG, Emir Cadar, lembrou que Minas Gerais possui um ecossistema industrial pronto para dar suporte a essa expansão, abrigando fabricantes de locomotivas como a Progress Rail e a Fabtech.

"O setor ferroviário foi, durante muito tempo, desprestigiado no Brasil. Hoje vemos um movimento de retomada que reduz o custo logístico e torna o estado mais atrativo para novos investimentos", destacou.

O 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais reuniu autoridades públicas, representantes da indústria e operadores logísticos para discutir a retomada do setor ferroviário no Brasil e os impactos esperados para as economias mineira e nacional. 

Leia também: 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por