Minas gasta o dobro para reparar danos deixados por condições climáticas do que para evitar desastre
Relatório do Tribunal de Contas mostra que mapas com áreas de risco estão desatualizados e incompletos

A prevenção a desastres causados por condições climáticas extremas ainda é falha em Minas. É o que mostra relatório divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Tribunal de Contas (TCE-MG). Entre 2012 e 2025, o Estado gastou quase o dobro em ações de resposta e na reconstrução de localidades atingidas por tragédias do que em planos preventivos de catástrofes.
No período citado, segundo o TCE, o Estado e os municípios mineiros investiram aproximadamente R$ 462 milhões em medidas de prevenção e R$ 823 milhões em respostas aos estragos. O relatório mostra que, no mesmo intervalo de pouco mais de uma década, o governo estadual destinou menos de 1,1% do orçamento para ações preventivas.
O tribunal ainda afirma que os mapas que indicam áreas de risco estão desatualizados e incompletos, em todo o território mineiro. “O monitoramento de rios e chuvas também é insuficiente, e a maioria das cidades não emite alertas locais”, afirma o TCE.
Desastres em Minas
De acordo com Ryan Brwnner Lima Pereira, Coordenador de Auditoria Operacional e Avaliação de Políticas Públicas, Minas lidera o ranking de desastres ocorridos no Brasil, com mais de 8 mil ocorrências nos últimos 10 anos.
"O dinheiro vem muito forte para a resposta, depois que o desastre acontece, e não para prevenir. A gente não vai prevenir a chuva. Mas a gente pode prevenir o impacto, tirar as pessoas das áreas de risco, fazer as comunicações adequadas, investir realmente na construção de equipamentos que possam minimizar o efeito do desastre", afirma o diretor técnico do TCE.
Mais de 520 desastres provocados por condições climáticas extremas
Conforme dados gerados pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, órgão ligado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, somente em 2025, Minas registrou 520 desastres provocados por condições climáticas extremas.
De acordo com a secretaria, os desastres provocaram 16 mortes, além de deixar 111 feridos. Mais de 9,4 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas.
Ainda conforme os dados - que podem ser conferidos no Atlas Digital de Desastres no Brasil -, 748,8 mil mineiros foram impactados, seja perdendo moradias, com a saúde prejudicada ou fonte de renda reduzida.
Conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Minas é o Estado com o maior número de municípios em situação de vulnerabilidade a desastres. São 283 cidasdes, o que representa 33% das 853 localidades.
O Governo de Minas foi procurado para comentar o relatório apresentado pelo TCE, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
* Estagiário, sob supervisão de Renato Fonseca
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