'QUEREMOS JUSTIÇA'

'Minas Gerais segue sendo estuprada pela mineração': manifestantes protestam na Justiça Federal

Até maio de 2027, outras 75 audiências devem ser realizadas

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 23/02/2026 às 16:40.Atualizado em 23/02/2026 às 17:11.
Com roupas manchadas de lama e bandeiras do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), uma das manifestantes diz que “Minas segue sendo estuprada pela mineração” (Maurício Vieira / Hoje em Dia)
Com roupas manchadas de lama e bandeiras do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), uma das manifestantes diz que “Minas segue sendo estuprada pela mineração” (Maurício Vieira / Hoje em Dia)

Familiares das vítimas da tragédia em Brumadinho seguem protestando em frente à sede da Justiça Federal de Minas, em Belo Horizonte, onde ocorre a primeira audiência de instrução do caso, nesta segunda-feira (23). O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também participa da manifestação.

Com roupa e o corpo sujos de lama, uma das manifestantes diz que “Minas segue sendo estuprada pela mineração”. Em seguida, o grupo se junta e protesta, em coro: “Não. Não. Não foi acidente. A Vale mata rio, mata peixe e mata gente”. Depois, os presentes cobram por “justiça” pelo desastre que matou 272 pessoas em 2019.

Julgamento deve se estender até maio de 2027

Outras 75 audiências devem ser realizadas até maio de 2027. O processo busca reconstruir os fatos que levaram às mortes e ao colapso ambiental da bacia do Rio Paraopeba. O caso envolve 17 réus.

A realização das audiências em formato presencial foi uma exigência central dos familiares das vítimas. O processo chegou a enfrentar incertezas sobre o local das sessões, mas, após mobilização da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem a Montante em Brumadinho (Avabrum), o TRF6 cedeu o plenário principal para garantir que os parentes pudessem acompanhar de perto o andamento do caso.

O que dizem as empresas? 

Entre os acusados estão as empresas Vale S.A. e TÜV SÜD, além de 15 ex-executivos e funcionários vinculados às companhias, que respondem por crimes ambientais e homicídios.

Por meio de nota, a TÜV SÜD prestou solidariedade às vítimas e famílias e disse estar “convencida” de que a empresa não possui responsabilidade legal “pelo acidente”. Segundo eles, “a causa técnica do acidente permanece incerta”. Ainda informaram que, conforme avaliação própria, a emissão das declarações de estabilidade pela TÜV SÜD Bureau cumpriu as leis e regulamentos.

Já a Vale, também em nota, reafirmou o respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reiterou o compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa informou não comentar ações judiciais em andamento.

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