
O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou o síndico de um condomínio em Caldas Novas, pelo crime de perseguição reiterada contra a corretora mineira Daiane Alves de Souza, de 43 anos, que está desaparecida desde dezembro de 2025. A denúncia, assinada pelo promotor Christiano Menezes da Silva Caires, aponta que o síndico praticou o chamado stalking durante dez meses em 2025, envolvendo agressões físicas, verbais e monitoramento constante da vítima.
De acordo com a investigação do MP, o conflito teve origem em novembro de 2024, após Daiane alugar um apartamento para um número de hóspedes superior ao permitido pelas normas do prédio. A partir desse episódio, o denunciado teria passado a dificultar as atividades profissionais de Daiane, exigindo, por exemplo, que solicitações de manutenção fossem feitas presencialmente e com firma reconhecida em cartório.
Monitoramento e sabotagem
A denúncia descreve que o síndico utilizava o sistema de segurança do condomínio para vigiar os passos de Daiane e de seus clientes, chegando a enviar as imagens para a irmã da corretora. Além da vigilância, o MP sustenta que o administrador sabotava serviços essenciais nos apartamentos geridos por ela, como interrupção do fornecimento de água e gás, desligamento de padrões de energia elétrica e desconexão de cabos de internet.
Mistério
Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após entrar no elevador do prédio para verificar um problema elétrico no subsolo. O Ministério Público ressalta, no entanto, que a denúncia por perseguição é independente das investigações sobre o paradeiro da corretora, que correm sob sigilo policial.
Defesa nega irregularidades
Em nota, os advogados do síndico afirmaram que ele não é investigado no inquérito que apura o desaparecimento de Daiane e que ele mantém uma postura colaborativa com as autoridades. Sobre a denúncia de perseguição, a defesa alega que as condutas do administrador ocorreram no estrito cumprimento de seus deveres legais para manter a ordem no condomínio e que as acusações são desprovidas de provas materiais.
Veja abaixo a nota na íntegra:
"A defesa técnica do Sr. Cléber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, representada pelos advogados infra-assinados, vem a público prestar esclarecimentos em virtude das recentes notícias veiculadas sobre o desaparecimento da Sra. Daiane Alves Souza. É fundamental pontuar, primeiramente, que o Sr. Cléber não figura como investigado no inquérito policial em curso. O administrador mantém postura colaborativa com as autoridades, fornecendo todas as informações e acessos necessários, certo de que a elucidação dos fatos é de interesse coletivo.
Em relação ao histórico de conflitos entre as partes, esclarece-se que as divergências existentes sempre foram tratadas pelo Sr. Cleber dentro da estrita legalidade e da via institucional adequada, qual seja, o Poder Judiciário. Nesse sentido, em 19 de janeiro de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia em desfavor da Sra. Daiane pela prática do crime de violação de domicílio (art. 150 do Código Penal), episódio no qual o Sr. Cléber figurou como vítima. Tal circunstância evidencia que o referido síndico sempre buscou o amparo das autoridades competentes para a resolução de conflitos, distanciando-se de qualquer pessoalidade.
Igualmente, cumpre abordar a recente denúncia oferecida em desfavor do Sr. Cléber pela suposta prática do crime previsto no art. 147-A do Código Penal. Sobre este ponto, a defesa esclarece que todas as condutas do Sr. Cléber se deram no estrito cumprimento de seus deveres legais e estatutários na condição de síndico, visando única e exclusivamente a manutenção da ordem condominial. As alegações contidas na referida denúncia são desprovidas de provas materiais, sustentando-se exclusivamente na versão unilateral apresentada pela Sra. Daiane. A defesa reitera que a inocência do Sr. Cléber será devidamente comprovada durante a instrução processual, momento em que ficará demonstrada a regularidade de sua atuação administrativa.
Por fim, a defesa solicita serenidade e responsabilidade na divulgação de informações, evitando-se especulações e insinuações que, desprovidas de lastro probatório, possam injustamente atingir a honra e a intimidade de um cidadão e pai de família que sempre esteve e permanece à disposição da Justiça".
A reportagem procurou a defesa de Daiane e aguarda retorno.