Após vandalismo

Moradores celebram volta da estátua de Roberto Drummond à Savassi: ‘é o nosso patrimônio’

Escultura do escritor retornou à Praça Diogo Vasconcelos após quase oito meses de restauração

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 08/07/2026 às 11:27.Atualizado em 08/07/2026 às 12:05.
Restauração foi concluída pelo próprio artista responsável pela obra, devolvida ao espaço onde está instalada desde 2003 (Valéria Marques/ Hoje em Dia)
Restauração foi concluída pelo próprio artista responsável pela obra, devolvida ao espaço onde está instalada desde 2003 (Valéria Marques/ Hoje em Dia)

A volta da estátua de bronze do escritor e cronista Roberto Drummond à Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi, foi recebida com alívio por frequentadores do local. Reinstalada na terça-feira (7), após quase oito meses de restauração, a obra reacendeu entre moradores o debate sobre a preservação do patrimônio público e o combate ao vandalismo.

Quem passa diariamente pela praça comemorou o retorno da escultura, que havia sido retirada depois de ser encontrada caída no chão, em dezembro de 2025. A restauração foi concluída pelo próprio artista responsável pela obra, devolvida ao espaço onde está instalada desde 2003.

Um morador da capital, que preferiu não se identificar, afirmou que a destruição de obras públicas reflete a falta de valorização da cultura. "O vandalismo é cultural no Brasil. As pessoas não valorizam as artes. Deveríamos cuidar do nosso patrimônio. Muitas pessoas ainda criticam e não veem importância em obras de arte".

A opinião é compartilhada por Carmelo Souza, de 83 anos, que diz ter conhecido pessoalmente Roberto Drummond. "Eu o conheci. Conversei com ele umas duas vezes aqui na Savassi. Era atleticano doente".

Ao comentar os ataques sofridos pela escultura ao longo dos anos, Carmelo não escondeu a indignação. Para ele, a restauração da obra e sua volta à praça representam um passo importante para preservar a memória da cidade.

"Destruir cultura é o fim. É o retorno da Idade da Pedra", afirmou. 

Entre os que comemoraram o retorno da escultura está a jornalista Edilma Duarte, que relata ter tido uma amizade com Roberto Drummond por décadas. Ela conta que conheceu o escritor ainda na juventude e acompanhou de perto parte da trajetória dele, inclusive em lançamentos de livros realizados no Sul do país.

Segundo Edilma, a ausência da estátua chamava a atenção de quem frequenta diariamente a Savassi. Ela afirma que comentava com amigos sobre o desaparecimento da obra e aguardava a reinstalação no local.

"Eu passo aqui todos os dias e sempre perguntava: 'Cadê a estátua do Roberto?'. Quando vi que ela tinha voltado, fiquei muito feliz. Sempre que passo por aqui, converso com ele mentalmente. Digo: 'E aí, cara, como é que você está?'. É muito bom vê-lo de volta", relatou.

Histórico de vandalismo

A estátua foi entregue novamente ao público na terça-feira (7), encerrando um período de quase oito meses fora da Praça Diogo de Vasconcelos. O episódio de dezembro do ano passado se soma a uma série de ataques registrados desde a instalação da obra, em 2003. 

Em 2009, a estátua foi pintada com tinta amarela. Já em 2014, teve os olhos cobertos com tinta azul. No ano seguinte, voltou a ser atacada e apareceu com a cabeça pintada de vermelho.

Em dezembro de 2025, a estátua foi encontrada caída no chão da praça. A escultura foi recolhida pela Guarda Municipal.

De acordo com a prefeitura da capital (PBH), a peça foi revitalizada pelo artista plástico Léo Santana, o escultor original. Em dezembro do último ano, o Hoje em Dia entrevistou Santana, que se disse “triste, mas não surpreso” após o ato de vandalismo. 

Para ele, quem vandaliza um bem público age como se estivesse destruindo algo próprio: “uma pessoa que faz isso com um trabalho que está numa praça, está fazendo com uma coisa que é dele”.

Quem foi Roberto Drummond

Nascido em 1933, na cidade de Ferros, na região Central de Minas, Roberto Drummond construiu uma trajetória marcante no jornalismo e na literatura brasileira.

Associado à chamada literatura pop, ele se destacava pela linguagem direta e proximidade com o cotidiano urbano. Entre as obras mais conhecidas está Hilda Furacão, publicada em 1991 e adaptada para a televisão em 1998, em uma minissérie de grande repercussão nacional.

O escritor morreu em junho de 2002, aos 73 anos, em Belo Horizonte.

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