
NOVA ERA – Um patrimônio salvo pela união e esforço da comunidade. Moradores de Nova Era, na região Central do Estado, cansados de esperar a ação do poder público e assustados com a degradação da igreja matriz de São José da Lagoa, cartão-postal da cidade, se mobilizaram e conseguiram arrecadar R$ 50 mil para as obras de recuperação do bem.
Todo o acervo histórico da igreja foi protegido contra ataques de cupins. A construção do século 18, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 17 de março de 1953, recebeu tratamento especial para evitar que a praga destruísse o imóvel e suas peças.
O serviço de imunização durou seis meses e foi feita ainda a limpeza das peças sacras. O dinheiro foi arrecadado por meio de doações, venda de rifas e festas realizadas na cidade.
Durante o trabalho de imunização, as celebrações foram suspensas. “Os moradores abraçaram a causa. Ver essa igreja totalmente recuperada eleva a autoestima do município”, disse o historiador Elvécio Eustáquio da Silva, de 67 anos. “O patrimônio estava seriamente ameaçado pelos cupins. Além disso, a igreja recebe grande quantidade de poeira e fuligem que chega da BR-381 e, se não for feita a limpeza da forma correta, as peças vão perdendo o brilho”, explicou.
Em busca de riqueza
A igreja foi construída em estilo rococó, no alto de um morro, de onde é possível ver o traçado sinuoso do rio Piracicaba. As obras teriam começado por portugueses e bandeirantes paulistas que chegaram à região em busca de ouro. Não há registros oficiais do início da construção do templo. No entanto, a escritura pública, datada de 1753, lavrada no cartório de Catas Altas, cita a doação de terras feita por Domingos Francisco da Cruz para a construção de uma nova capela no Arraial de São José da Lagoa – hoje Nova Era. “Os primeiros habitantes que chegaram aqui trouxeram a fé e a religião”, afirmou Elvécio.
As escadarias da igreja são de pedra-sabão. O assoalho de madeira preserva as características originais. O altar-mor foi entalhado pelo português Francisco Vieira Servas (1720 – 1811). As paredes são de adobe (um tipo de tijolo que não é queimado em forno) e a estrutura é de madeira braúna, retirada das matas da região e transportada para o alto da ladeira em lombos de mulas.
No pavimento superior da igreja ficam as tribunas. No interior, a decoração em ouro e as pinturas dos séculos 18 e 19 impressionam turistas que visitam o local. O conjunto tem nos altares as imagens de São Francisco, Sant’Anna, São João Batista, São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito. No altar-mor destaca-se a imagem do padroeiro da cidade, São José. “Debaixo do assoalho estão enterrados antigos moradores da cidade. No lado de fora da igreja foram sepultados escravos”, contou Elvécio.
Leia mais na edição digital