Morte do gari Laudemir completa um ano, e acusado ainda espera por julgamento em BH
Renê Júnior foi enviado a júri popular em janeiro, mas, seis meses depois da decisão, Justiça ainda não definiu quando julgamento pela morte do gari ocorrerá
Um ano após a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, o julgamento do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior ainda não tem data marcada. O trabalhador foi morto a tiros em 11 de agosto de 2025, durante uma discussão de trânsito no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte. Renê está preso desde o dia do crime.
A decisão que determinou que o empresário seja julgado pelo Tribunal do Júri foi tomada em 28 de janeiro pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Desde então, a data da sessão não foi definida. A demora é cobrada pela família de Laudemir em manifestações realizadas ao longo do ano.
A defesa apresentou recursos e pedidos de soltura. Em junho, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) voltou a negar um pedido de liberdade.
A solicitação já havia sido rejeitada pela Corte mineira em fevereiro deste ano. Na ocasião, a defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que identificou uma falha processual: os advogados não tiveram a oportunidade de apresentar sustentação oral na sessão.
A reportagem procurou o TJMG sobre a data do julgamento e aguarda retorno.
Relembre o caso
Laudemir foi assassinado em serviço pelo empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter efetuado o tiro. A arma era da esposa, a delegada Ana Paula Lamêgo Balbino. O caso ocorreu no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte.
Renê foi indiciado por três crimes: homicídio duplamente qualificado, ameaça contra a motorista do caminhão de coleta de lixo e porte ilegal de arma de fogo. A pena pode chegar a 35 anos de prisão.
Após o crime, o empresário “seguiu a rotina” e continuou o dia como se nada tivesse acontecido. Renê foi visto no trabalho e também passeando com dois cachorros. Depois, ainda foi para a academia, onde foi preso.
Ao ser levado para a delegacia, Renê mandou mensagens para a esposa pedindo para que ela entregasse uma arma diferente da que foi utilizada no crime. "Entrega a nove milímetros. Não pega a outra. A nove milímetros não tem nada", escreveu, referindo-se à outra arma da delegada. Segundo o inquérito, Ana Paula não respondeu nem atendeu ao pedido do marido.
Antes de ser preso, o empresário ainda mandou outra mensagem para a esposa: "Estava no lugar errado na hora errada. Amor, eu não fiz nada".
A polícia confirmou que a arma utilizada era da esposa do empresário. Ela foi indiciada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, ao ceder o armamento ao marido.
Conforme previsto na Lei do Desarmamento, o crime prevê pena de 2 a 4 anos de prisão. Porém, por ela ser servidora pública, poderá ter a pena aumentada por mais dois anos.
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