Francisco Sá

Motorista de ônibus ‘clandestino’ é denunciado por homicídio após acidente com 5 mortos em Minas

Veículo tombou na altura do km 474 da rodovia BR-251, no Norte do Estado

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 02/03/2026 às 19:16.Atualizado em 02/03/2026 às 19:54.
Passageiros haviam alertado motorista sobre problemas mecânicos, mas aviso foi ignorado, segundo a promotoria (Corpo de Bombeiros/ Divulgação)
Passageiros haviam alertado motorista sobre problemas mecânicos, mas aviso foi ignorado, segundo a promotoria (Corpo de Bombeiros/ Divulgação)

O proprietário e motorista de um ônibus que tombou na rodovia BR-251, em Francisco Sá, no Norte de Minas, e deixou cinco pessoas mortas - entre elas uma criança de um ano e sete meses - foi denunciado por homicídio qualificado. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (2) pelo Ministério Público de Minas Gerais. 

De acordo com a Promotoria Justiça, o acusado assumiu o risco de matar (dolo eventual) ao seguir viagem com o sistema de freios “gravemente” comprometido. Horas antes do tombamento do veículo, passageiros teriam alertado o condutor sobre falhas mecânicas, “mas o denunciado ignorou os alertas, não providenciando os reparos necessários”. 

O ônibus partiu de Arapiraca, no estado de Alagoas, rumo a São Joaquim, em Santa Catarina. O alerta ignorado pelo motorista teria sido feito pelos passageiros na divisa entre Bahia e Minas.  

O tombamento ocorreu horas depois, num trecho sinuoso de descida de serra, entre os municípios de Salinas e Francisco Sá. Na ocasião, o motorista perdeu o controle do ônibus, que tombou sobre o lado direito, arrastando-se por vários metros. Após o acidente, o condutor fugiu do local sem prestar socorro às vítimas.

Ele foi preso após se apresentar na delegacia de Francisco Sá acompanhado de um advogado, dois dias após o ocorrido.

“Mesmo ciente de que conduzia um ônibus com problemas sérios de segurança, o denunciado prosseguiu com a viagem apesar do risco concreto à vida e à integridade física dos passageiros”, afirmou o promotor de Justiça João Henrique Moreira da Conceição. 

Na denúncia, o MPMG pede que o motorista do ônibus vá a júri popular, seja condenado por homicídio qualificado e sentenciado ao pagamento de indenização superior a 50 salários-mínimos aos parentes das vítimas que morreram. 

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