MPMG denuncia professor da UFMG por injúria qualificada e discriminação contra cadeirante em BH
Caso ocorreu em fevereiro no bairro Santo Antônio, após discussão por vaga sobre rampa de acessibilidade em um restaurante

Um professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pelos crimes de injúria qualificada e discriminação contra pessoa com deficiência. O caso ocorreu no dia 2 de fevereiro de 2026, no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Conforme a denúncia, a confusão começou quando a chef Juliana Duarte solicitou que o docente retirasse o veículo que estava estacionado sobre uma faixa de pedestres, bloqueando a rampa de acessibilidade. Ela tentava atravessar a rua ao lado do marido, o servidor aposentado do TCE-MG Pedro Edson Cabral Vieira, que usa cadeira de rodas, e da cuidadora do casal.
Segundo a denúncia do MPMG, após manobrar o automóvel, o homem passou a debochar da condição física de Pedro. Horas mais tarde, o professor teria retornado ao restaurante do casal e proferido novos insultos diante de funcionários e testemunhas, repetindo a conduta por volta das 22h.
O Ministério Público ressaltou que as ofensas causaram intenso sofrimento emocional à vítima, que possui uma condição neurológica degenerativa. Relatos incluídos nos autos indicam que Pedro apresentou aumento de tristeza, rigidez corporal e resistência para frequentar espaços públicos após o episódio.
A esposa informou ter contratado segurança particular para o estabelecimento devido ao receio de novas abordagens.
Na denúncia, o órgão destacou que o preconceito viola a dignidade e a igualdade, afirmando em nota que "o problema nunca é a deficiência, mas o preconceito". A reportagem tenta contato com a defesa do professor.
Admissão de erro
A reportagem tenta contato com a defesa do professor. Na época, das após a forte repercussão, ele se manifestou publicamente nas redes sociais. No texto, classificou a própria conduta como “grave e inaceitável” e pediu perdão à vítima e aos familiares. O docente afirmou: “assumo integralmente a responsabilidade pela minha conduta e estou disposto a enfrentar todas as consequências administrativas e legais decorrentes do meu erro”.
Combater ao capacitismo
Juliana Duarte, na ocasião, ressaltou que, em meio à violência sofrida, a divulgação do caso é uma oportunidade para combater o capacitismo. “Fatos adversos fazem as pessoas refletirem, e é importante divulgar para ajudar no andamento dos processos formais”, declarou a chef.