Bairro Santo Antônio

MPMG denuncia professor da UFMG por injúria qualificada e discriminação contra cadeirante em BH

Caso ocorreu em fevereiro no bairro Santo Antônio, após discussão por vaga sobre rampa de acessibilidade em um restaurante

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Publicado em 29/07/2026 às 09:02.
Juliana Duarte e o marido Pedro Vieira (Redes Sociais/Reprodução)
Juliana Duarte e o marido Pedro Vieira (Redes Sociais/Reprodução)

Um professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pelos crimes de injúria qualificada e discriminação contra pessoa com deficiência. O caso ocorreu no dia 2 de fevereiro de 2026, no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Conforme a denúncia, a confusão começou quando a chef Juliana Duarte solicitou que o docente retirasse o veículo que estava estacionado sobre uma faixa de pedestres, bloqueando a rampa de acessibilidade. Ela tentava atravessar a rua ao lado do marido, o servidor aposentado do TCE-MG Pedro Edson Cabral Vieira, que usa cadeira de rodas, e da cuidadora do casal.

Segundo a denúncia do MPMG, após manobrar o automóvel, o homem passou a debochar da condição física de Pedro. Horas mais tarde, o professor teria retornado ao restaurante do casal e proferido novos insultos diante de funcionários e testemunhas, repetindo a conduta por volta das 22h.

O Ministério Público ressaltou que as ofensas causaram intenso sofrimento emocional à vítima, que possui uma condição neurológica degenerativa. Relatos incluídos nos autos indicam que Pedro apresentou aumento de tristeza, rigidez corporal e resistência para frequentar espaços públicos após o episódio.

A esposa informou ter contratado segurança particular para o estabelecimento devido ao receio de novas abordagens.

Na denúncia, o órgão destacou que o preconceito viola a dignidade e a igualdade, afirmando em nota que "o problema nunca é a deficiência, mas o preconceito". A reportagem tenta contato com a defesa do professor.

Admissão de erro 

A reportagem tenta contato com a defesa do professor. Na época, das após a forte repercussão, ele se manifestou publicamente nas redes sociais. No texto, classificou a própria conduta como “grave e inaceitável” e pediu perdão à vítima e aos familiares. O docente afirmou: “assumo integralmente a responsabilidade pela minha conduta e estou disposto a enfrentar todas as consequências administrativas e legais decorrentes do meu erro”.

Combater ao capacitismo

Juliana Duarte, na ocasião, ressaltou que, em meio à violência sofrida, a divulgação do caso é uma oportunidade para combater o capacitismo. “Fatos adversos fazem as pessoas refletirem, e é importante divulgar para ajudar no andamento dos processos formais”, declarou a chef.

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