NASCIMENTO INÉDITO

Mutum-de-alagoas: Zoo de BH registra reprodução inédita de ave extinta na natureza

Atualmente, existem pouco mais de 100 indivíduos da espécie

Do HOJE EM DIA*
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Publicado em 16/01/2026 às 18:15.Atualizado em 16/01/2026 às 19:10.
Mutum-de-alagoas  é uma ave de grande porte, nativa da Mata Atlântica nordestina (Suziane Brugnara/PBH)
Mutum-de-alagoas é uma ave de grande porte, nativa da Mata Atlântica nordestina (Suziane Brugnara/PBH)

Extinta na natureza, mas sobrevivendo graças a esforços de conservação em cativeiro, a ave mutum-de-alagoas se reproduziu no Zoológico de Belo Horizonte. Segundo informações da prefeitura, o fato é inédito no Brasil, por se tratar do primeiro filhote que nasceu de forma natural, rompendo sozinho o ovo e sem a necessidade do uso de chocadeiras. Atualmente, existem pouco mais de 100 indivíduos dessa espécie, todos vivendo sob cuidados humanos.

Das 100 aves existentes, cinco estão no Zoo da metrópole, sendo quatro adultos e o mais novo filhote, que nasceu em 4 de janeiro. Segundo a PBH, a espécie vem sendo criada e reproduzida sob cuidados humanos, visando a promoção de um futuro programa de reintrodução na natureza.

A pequena ave nasceu de um dos dois casais de mutum-de-alagoas que o Zoo recebeu em 2018, por meio do Plano de Ação Nacional (PAN) para conservação da espécie. A mãe e o pai chegaram em BH ainda jovens (a fêmea com pouco mais de um ano e o macho com aproximadamente seis meses), frutos de cruzamentos em criadouros legalizados. 

De acordo com a bióloga e chefe da seção de aves do Zoológico de Belo Horizonte, Márcia Procópio, transformar os indivíduos em um casal foi um trabalho de paciência, resiliência e muita observação. “No começo, a fêmea não aceitava o macho, pois ele ainda não havia alcançado a maturidade sexual. Depois, passou a atacá-la nas tentativas de aproximação. Tivemos que construir uma área cercada dentro do recinto para permitir um convívio, sem contato e, gradativamente, fomos trabalhando com enriquecimentos ambientais e outras estratégias que permitiam manter os dois juntos, em segurança, por mais tempo a cada dia”, comenta. 

De acordo com ela, a observação diária do comportamento também ajudou a decidir novas intervenções que estimulassem o pareamento, até que vieram os primeiros cruzamentos, há alguns anos, mas nenhum deles resultando em um filhote autônomo, ou seja, nascido rompendo a casca do ovo e sendo criado pela mãe, como é o ideal para possíveis tentativas de reintrodução na natureza. 

Ambientação e paisagismo do recinto

A bióloga ainda destaca que optou por não recorrer ao uso de chocadeiras por acreditar que uma boa ambientação no recinto poderia gerar um resultado positivo, uma vez que é sabido que a reprodução bem-sucedida é consequência natural de altos níveis de bem-estar animal. Assim, a equipe da seção de aves do zoológico investiu na ambientação e paisagismo do recinto, produzindo isolamentos (artificiais e naturais, como paredes de plantas), promoveu sombreamentos no espaço semelhantes a florestas, diversificou poleiros  e ninhos, entre outras ações. 

Após essas intervenções no recinto, a equipe, que vinha monitorando o ovo já posto pela fêmea, foi surpreendida com o filhote finalmente rompendo a barreira da casca e já pulando do ninho nos seus primeiros dias de vida. Conforme a PBH, a tentativa é de reproduzir a espécie com o máximo de grau de pureza genética, para reintroduzir alguns indivíduos na natureza.

Por ter sido a primeira instituição até o momento a conseguir a reprodução desta forma, o Zoológico de BH será agora um espaço de estudo e pesquisa sobre a espécie.  Atualmente, o filhote está com pouco mais de 15 dias e vive num recinto de cerca de 20 metros quadrados com os pais, num espaço reservado do Zoo, fora da área de visitação.

Mutum-de-alagoas

O mutum-de-alagoas  é uma ave de grande porte, nativa da Mata Atlântica nordestina, e que permaneceu por mais de 300 anos como uma das aves mais raras e enigmáticas de todo o mundo. Endêmico do “Centro Pernambuco”, faixa da Mata Atlântica que se inicia ao norte da foz do rio São Francisco, quase desapareceu.

*Com informações da PBH

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