Julgamento

‘Não existe reparação para uma vida’, diz mãe de engenheiro morto na tragédia em Brumadinho

Andressa Aparecida Rocha Rodrigues foi a segunda testemunha ouvida na primeira audiência do caso

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 23/02/2026 às 16:12.Atualizado em 23/02/2026 às 16:39.

“Não existe reparação para uma vida”. A afirmação é de Andressa Aparecida Rocha Rodrigues, mãe de Bruno Rocha Rodrigues, que morreu na tragédia em Brumadinho, após o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em 2019. Prefeita de Mário Campos, ela foi a segunda testemunha de acusação ouvida nesta segunda-feira (23), na audiência de instrução que apura as responsabilidades do desastre. A sessão, que ocorre na sede da Justiça Federal em Belo Horizonte, é a primeira das 76 previstas, o que deve estender o julgamento até maio de 2027. 

“Não existe reparação para uma vida (…). Reparação requer que haja justiça, respeito, uma mudança de comportamento, porque dinheiro não segura barragem. Dinheiro não traz melhoria. Quando você entra na porta da nossa casa falta o principal: a vida de quem a gente ama. Então não me senti reparada”, destacou Andressa, após ser questionada se a indenização paga pela Vale serviu de “reparação” pela perda do filho. 

A testemunha relatou que o filho era formado em Engenharia e sempre “sonhou” em trabalhar na Vale. Ela conta que visitou o local de trabalho de Bruno e sentiu uma “angústia” profunda. 

“Quando fui, em agosto de 2018, me lembro que eu subi onde é o mirante e fiquei muito inquieta vendo tudo aquilo lá embaixo. Aquele restaurante e aquela área toda abaixo da barragem, fiquei muito incomodada. Eu disse para ele que meu coração estava angustiado”, destacou. 

Andressa relembrou o momento de tensão vivido após o rompimento da barragem e o “desaparecimento” do filho. “O problema foi identificar ele. Eu me lembro muito bem da data, porque Foram 75 dias de busca. Eu fiquei muito tempo pensando que ele voltaria, porque como a gente disse, a Vale nunca fez contato conosco, nunca ligou, nós soubemos de tudo pela televisão e pela mídia”.

A testemunha também detalhou o momento em que o corpo do filho foi encontrado e o sofrimento vivenciado na época. 

Corpo identificado um dia após aniversário

“Eu só tinha um pedido para fazer, devolve o corpo do meu filho pra eu me despedir do meu filho. Eu pedi isso muito a Deus. No dia do meu aniversário eu pedi muito e no dia seguinte, umas amigas me fizeram um cafezinho para apoiar. Elas foram lá pra casa e naquele dia fizemos uma oração. Elas me levavam um bolo. Meia hora depois, o telefone do meu marido tocou e tinham identificado o Bruno”, desabafou.

O que dizem as empresas? 

Entre os acusados estão as empresas Vale S.A. e TÜV SÜD, além de 15 ex-executivos e funcionários vinculados às companhias, que respondem por crimes ambientais e homicídios.

Por meio de nota, a TÜV SÜD prestou solidariedade às vítimas e famílias e disse estar “convencida” de que a empresa não possui responsabilidade legal “pelo acidente”. Segundo eles, “a causa técnica do acidente permanece incerta”. Ainda informaram que, conforme avaliação própria, a emissão das declarações de estabilidade pela TÜV SÜD Bureau cumpriu as leis e regulamentos.

Já a Vale, também em nota, reafirmou o respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reiterou o compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa informou não comentar ações judiciais em andamento.

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