'Nos toca a alma', declara comandante da PMMG sobre morte de mulheres por violência doméstica
Comandante-geral da corporação ressaltou que a morte da oficial reforça a necessidade do combate contínuo à violência contra a mulher

A comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Cleide Barcelos, afirmou nesta quarta-feira (22) que o caso da capitã da corporação, de 41 anos, levada morta para o hospital pelo companheiro, um sargento da corporação de 37, reforça a necessidade de combater a violência doméstica. A declaração foi dada durante a cerimônia de despedida da oficial, realizada no bairro São Cristóvão, na região Noroeste de Belo Horizonte.
Durante o velório, a comandante destacou o impacto do caso para a corporação e para a sociedade. “A morte de uma militar e de todas as outras mulheres, em virtude da violência doméstica e familiar, nos toca a alma. Ela nos motiva cada vez mais a lutarmos contra esse inimigo visível e muitas vezes invisível que assola a nossa sociedade”, afirmou.
Segundo a comandante, a corporação mantém o compromisso de atuar na proteção e no enfrentamento desse tipo de crime no Estado. “Toda a nossa comunidade pode continuar acreditando no firme propósito de nossa instituição de proteger todas as famílias mineiras e todas as mulheres do Estado de Minas Gerais.”
Também presente na cerimônia, o capitão Rafael Veríssimo, porta-voz da PMMG, lamentou a perda e prestou condolências. “É um fato extremamente triste. A nossa instituição registra mais uma vez a solidariedade e nossos sentimentos a todos os familiares, amigos e irmãos de farda. A capitã, com mais de 20 anos de carreira, tinha ainda uma vida pela frente, e um fato trágico, um contexto criminal repugnante, tirou a vida da nossa oficial.”
Entenda o caso
A capitã deu entrada sem sinais vitais no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, levada pelo companheiro, um sargento da Polícia Militar de 37 anos. O corpo dela tinha várias marcas de violência. Inicialmente, o homem alegou aos médicos que a companheira havia caído de uma escada dentro do imóvel do casal. Contudo, diante das múltiplas lesões, a equipe médica acionou a Polícia Militar.
O suspeito foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia. Ele é investigado por feminicídio e também responderá por tráfico de drogas, após a apuração indicar que ele tentou descartar comprimidos de ecstasy em uma lixeira do hospital.
Em nota, a defesa do sargento informou que recebeu a decisão “com respeito”, mas afirmou discordar dos fundamentos que embasaram a conversão em preventiva. Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, não haveria elementos que justificassem a manutenção da medida cautelar.
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