‘Nunca coube em moldura nenhuma’, diz Chico Pelúcio sobre o legado de Teuda Bara
Amigos e familiares destacam liberdade, alegria e dedicação integral da atriz ao teatro durante velório no Palácio das Artes

“Ela fazia tremer o universo. Não tinha espaço. Ela não coube em moldura nenhuma, nenhuma moldura foi capaz de enquadrá-la. Ela sempre foi livre em tudo”. É desta forma que o ator e diretor Chico Pelúcio descreve a amiga e colega Teuda Bara. Referência do teatro mineiro e uma das fundadoras do Grupo Galpão, a atriz está sendo velada nesta sexta-feira (26) no Palácio das Artes, no Centro de Belo Horizonte.
Teuda faleceu na tarde desta quinta-feira de Natal (25), aos 84 anos. A atriz estava internada desde o dia 14 de dezembro após sofrer uma queda em casa que resultou em uma fratura na perna. Segundo informações médicas, a causa da morte foi uma septicemia com falência múltipla dos órgãos. Para Chico Pelúcio, a ausência de Teuda é sentida com intensidade equivalente à que ela trazia com a sua presença.
“Ela deixa um legado de uma inundação de alegria. Eu acho que o que Belo Horizonte mais vai sentir falta é da gargalhada dela, seja nos teatros, nos cinemas ou nos bares. Essa era a marca dela e era isso que extrapolava o normal das coisas. Ela estava sempre duas doses acima da humanidade”, afirma o ator.
Estrela que nunca se apaga
Luciana Fernandes, de 40 anos, sobrinha da atriz, acompanhou o trabalho da tia desde a infância e reforça o impacto de sua trajetória. “Ela brilhou com maestria aqui na Terra e a partir de ontem brilha no céu. Ela é uma estrela que nunca vai ser apagada. Uma referência de ser humano, de atriz, de pessoa e de mulher”.
A sobrinha destaca que Teuda exerceu seu ofício até o último momento, já que estava trabalhando um dia antes de ser internada e mantinha planos para dois espetáculos. “Era assim que ela vivia a vida: com muita coragem, alegria e riso alto no alto dos seus 84 anos, muito bem vividos fazendo exatamente o que ela amava, que era atuar”, afirma.
Luciana ainda relembrou a faceta cuidadora da tia, fazendo um paralelo com a personagem interpretada pela atriz no espetáculo “Cabaré Coragem”, inspirada na obra de Bertolt Brecht. “Ela cuidava da família inteira, dos filhos, dos netos, dos sobrinhos... e ela também gostava muito de ser cuidada”, recorda.
Teuda como atriz e mãe
Admar Fernandes, filho de Teuda, atuava com a mãe na peça que ela apresentava um dia antes de ser internada. “A primeira peça que a gente fez juntos estreou tem 10 anos, então estávamos com essas apresentações, uma no sábado e outra no domingo. Apresentamos no dia 13, e no dia 14 ela já acordou sentindo um pouco mal e foi para o hospital”, explica Admar.
“Ela como atriz é uma pessoa fantástica, deixa um enorme legado pra gente. Era uma força que ela tinha, uma criatividade, ela não parava quieta, entrando em um projeto no outro. E como mãe, ela é uma pessoa generosíssima. Ela cuidava da família inteira assim, sempre rodeada de amor, sempre alegre e sempre com a força aquela gargalhada inesquecível” diz o filho da atriz.
“A vida dela foi uma festa e não podia ser diferente hoje”
A despedida da atriz ocorreu em meio a muita cantoria, o que, segundo a atriz do Grupo Galpão Lídia Del Picchia, tem tudo a ver com Teuda. “É sempre muito difícil despedir de uma pessoa superlativa como a Teuda, mas vocês podem ver aqui, ela é a dona da festa. A vida dela foi uma festa e não podia ser diferente hoje. A gente tem que cantar para celebrar a passagem dela, que foi tão linda, tão forte, tão intensa”, afirma.
A atriz descreve Teuda como alguém que nunca se deixava abater pelas adversidades. “Ela estava sempre trazendo novas ideias, novas energias, topava tudo. Era uma pessoa alegre, e nos últimos tempos ela já não tinha tanta mobilidade. A gente sempre dava um jeitinho de levar ela quando estávamos em temporada, porque ela sempre trazia muita alegria e uma energia muito vibrante”.
*Estagiária, sob supervisão de Gledson Leão
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