‘Nunca vi nada parecido’, diz moradora ao contabilizar prejuízos após temporal na Vila Pinho, em BH
Ventos fortes e granizo destruíram telhados e caixas-d'água na Vila Pinho, onde escola municipal precisou suspender as aulas nesta segunda-feira.

“Uma tempestade que eu nunca vi em todos meus anos de vida”. O relato é da educadora infantil Lígia de Oliveira Paula, de 62 anos, moradora da Vila Pinho, no Barreiro, em Belo Horizonte, há 18 anos. Depois do temporal que atingiu a região na noite de domingo (13), ela acordou nesta segunda-feira (14) com duas caixas-d’água destruídas, o telhado danificado e um dos quartos da casa tomado pela água.
Segundo Lígia, a chuva começou por volta das 20h, acompanhada de granizo e ventos muito fortes. Os danos foram percebidos após a tempestade.
“O telhado da escola veio voando, não só o telhado, como as madeiras. A madeira veio quebrando as duas caixas-d’água. Não tem um pedacinho da caixa. Foi onde eu perdi toda a água”, contou a moradora que está sem abastecimento.
A água também entrou na casa e continuava pingando na manhã desta segunda-feira (14). A força do vento espalhou materiais pela rua e afetou outros imóveis da região. Lígia conta que uma peça de madeira atingiu a residência de uma vizinha que mora sozinha e caiu dentro da sala. A mulher precisou passar a noite na casa de outra moradora. Um carro também foi danificado e outro veículo, segundo ela, ficou com o vidro quebrado.
A assistente administrativa Rafaela Cordeiro, de 42 anos, também teve a casa atingida durante a tempestade. Telhas levadas pelo vento quebraram parte da cobertura da residência, que ficou com pontos de entrada de água.
“Minha casa está toda pingando. Eu não tenho onde pôr meus móveis, está tudo molhado”, relatou.
As duas moradoras afirmam que os danos foram provocados pelos materiais levados pelo vento durante a tempestade. A Escola Municipal Vila Pinho, onde parte da cobertura foi danificada, teve as aulas e as atividades da Escola Integrada suspensas nesta segunda-feira. Equipes da Secretaria Municipal de Educação e da Regional Barreiro foram enviadas ao local, e a Defesa Civil faria uma avaliação dos danos e dos possíveis riscos.
Os volumes de precipitação acumulados na região explicam a intensidade dos impactos. Segundo a Defesa Civil, o Barreiro já registra 155,2 mm de chuva em setembro, montante que representa cerca de 315% da média climatológica prevista para o mês inteiro, estimada em 49,2 mm. Somente nas últimas 12 horas, a regional contabilizou 42,7 milímetros, o equivalente a 87% do esperado para todo o período.
No bairro Tirol, também no Barreiro, onde fortes precipitações já haviam causado estragos na última sexta-feira em uma área de obras da Prefeitura, a situação voltou a se repetir. Moradores denunciaram que a via pública ficou intrasitável após o temporal deste domingo.
Previsão de mais chuvas
Para o restante do dia, a instabilidade deve persistir na capital mineira. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de temporal pela manhã, indicando céu nublado com pancadas de chuva por vezes fortes a qualquer hora, acompanhadas de trovoadas isoladas. A temperatura mínima registrada foi de 16,8 °C, com máxima estimada em 27 °C e umidade relativa do ar em torno de 60% no período da tarde.
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