'O asfalto tem que subir o morro', diz coordenador de Vilas e Favelas de BH sobre políticas públicas
Estrutura criada pela Prefeitura de BH busca ampliar presença do poder público nas comunidades

Criada em 2025 pela Prefeitura de Belo Horizonte, a Coordenadoria-Geral de Vilas e Favelas tem como objetivo aproximar o poder público das comunidades da capital e articular políticas públicas voltadas às regiões periféricas. Vinculado ao gabinete do prefeito Álvaro Damião (União Brasil), o órgão pretende integrar ações de diferentes áreas da administração municipal, incluindo infraestrutura, assistência social, esporte, cultura e geração de renda.
À frente da coordenadoria está Marcos Crispim, ex-vereador de Belo Horizonte e morador do Alto Vera Cruz, na região Leste da capital. Segundo ele, a criação da estrutura surgiu a partir de um desejo antigo da gestão municipal de dar maior atenção às áreas fora do eixo central da cidade.
“A coordenadoria vem de um desejo do então prefeito Fuad Noman (falecido em 2025) juntamente com o seu vice na época, Álvaro Damião, que pensaram em algo voltado para a favela, para ouvir e dar um atendimento às pessoas que moram nas regiões periféricas de Belo Horizonte”, diz.
'Levar o asfalto para o morro'
Segundo o coordenador do órgão, a proposta da prefeitura é ampliar a presença do poder público nas comunidades, não apenas com obras de infraestrutura, mas também com políticas sociais e oportunidades para os moradores.
“Durante muito tempo, dentro da questão de ir além da Avenida do Contorno, muitas vezes o olhar do poder público ficava voltado para outras regiões da cidade. Nós temos o nosso cartão-postal que é a Serra do Curral, a Pampulha, a Savassi, o nosso Centro que precisa de cuidado e de atenção, e a gente não é contrário a isso. Mas a ideia é que haja também um olhar para aqueles que estão fora, principalmente os mais vulneráveis dentro das áreas de vilas e favelas”.
Ele diz que o objetivo da política pública é ampliar a presença do Estado nas periferias de maneira mais ampla. “Durante muitos anos a gente ouviu falar que o morro iria descer para o asfalto. Hoje nós temos a incumbência de levar o asfalto para o morro, não apenas na infraestrutura, mas por meio de direitos, cultura, esporte e incentivo ao empreendedorismo”.
Orçamento ainda não previsto
Apesar da criação da coordenadoria, a estrutura ainda não conta com orçamento próprio. De acordo com Crispim, isso ocorreu porque o orçamento municipal já havia sido aprovado antes da criação do órgão. “Como o orçamento é votado um ano antes, não havia uma previsão orçamentária. A ideia nossa e também do prefeito é que no futuro tenha um orçamento próprio destinado para vilas e favelas”.
Projeto para melhorar moradias
Entre as iniciativas em discussão está o Projeto Janelas, que pretende melhorar as condições de ventilação e iluminação em residências em áreas de ocupação mais adensadas nas comunidades. “Tem casas que falta uma ventilação, falta uma janela. Pensando nisso, a gente vai trabalhar em algo nessa questão de infraestrutura para melhorar a qualidade de vida”.
Segundo ele, a proposta é iniciar o projeto como piloto e, caso funcione, ampliar para outras vilas e regionais da capital.
Monitoramento durante período chuvoso
A coordenadoria também acompanha ações relacionadas à prevenção de riscos durante o período chuvoso, especialmente em áreas de encosta e regiões com histórico de deslizamentos.
Segundo Crispim, um grupo gestor formado por diferentes setores da prefeitura monitora essas situações e acompanha as áreas mais vulneráveis. “Todo esse período de chuva vem sendo acompanhado de perto e foram poucos os casos de deslizamentos de terra. Em todos eles a prefeitura estava acompanhando”, afirmou.
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