TRANSPORTE PÚBLICO

Ônibus lotados, goteiras e atrasos: passageiros na bronca em meio a aumento da tarifa em BH

Reajuste para R$ 6,25 gera indignação em usuários que relatam precariedade e falta de ar-condicionado na frota municipal

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 30/12/2025 às 10:38.Atualizado em 30/12/2025 às 12:44.
Passageiros relatam que o novo valor não condiz com a realidade das viagens, marcadas por veículos superlotados e problemas de manutenção (Valéria Marques/Hoje em Dia)
Passageiros relatam que o novo valor não condiz com a realidade das viagens, marcadas por veículos superlotados e problemas de manutenção (Valéria Marques/Hoje em Dia)

A confirmação do reajuste da passagem de ônibus em Belo Horizonte para R$ 6,25, a partir de 1º de janeiro de 2026, foi recebida com revolta por quem depende do transporte coletivo diariamente. Passageiros, nesta terça-feira (30), relatam que o novo valor não condiz com a realidade das viagens, marcadas por veículos superlotados e problemas de manutenção.

A técnica em enfermagem Maria Soares, de 32 anos, descreve uma rotina de desconforto extremo. "Eu pego esse ônibus muito cheio, ele demora pra passar, às vezes eu tenho que sentar na frente do ônibus que não tem nem espaço para você andar, um calor insuportável. Quando chove molha tudo e o ar-condicionado fica pingando na gente quando a gente senta nos bancos. É difícil a situação, aumentar a passagem do jeito que tá, não dá", desabafou.

A falta de infraestrutura também é alvo das críticas do contador Ramon Souza, de 49 anos. Ele utiliza a linha 9211 e afirma que o desgaste dos veículos antigos compromete até a saúde física dos usuários. "Muitos ônibus daqueles antigos, quando passa no quebra-mola, a coluna da gente quase dá um problema. Péssima qualidade, alguns ônibus dos mais novos, mesmo com ar-condicionado, na maioria das vezes não funciona. Aí nessa situação não tem como abrir a janela, num calor desse, tá péssimo", detalhou.

Para o contador, o aumento de 8,7% na tarifa principal é injustificável diante do serviço prestado. "O preço da passagem não condiz com a qualidade da entrega e do serviço", pontuou.

O encarregado Carlos Alves, 44 anos, lembrou que todo ano chegam esses reajustes que, somados com outras conta, apertam o bolso do trabalhador. "Presente de grego, né. Todo ano esse reajuste e um serviço de qualidade não temos. E o patrão nem sempre absorve esse valor. Eu pago passagem do meu bolso, e dos meus ajudantes também. Aí tem IPTU, IPVA, numa tacada só no início do ano. Muito pesado", pontuou. 

Reajuste

De acordo com a portaria assinada pelo superintendente Rafael Murta Resende nesta terça, a tarifa das linhas convencionais terá uma alta de 8,7%. Com isso, o valor pago pelos passageiros saltará de R$ 5,75 para R$ 6,25, representando um acréscimo de R$ 0,50 por viagem.

O benefício da gratuidade em linhas que atendem vilas e favelas foi mantido pela administração municipal, assim como o programa "catraca livre", que garante passagens gratuitas aos domingos e feriados na capital.

As tarifas do serviço de táxi-lotação de Belo Horizonte também serão reajustadas. No trajeto da avenida Afonso Pena, o valor passa de R$ 6,35 para R$ 6,90. Já na avenida do Contorno, a tarifa sobe de R$ 6,05 para R$ 6,60. 

Para conferir o reajuste das tarifas, clique aqui.

O que diz a prefeitura

O executivo municipal justifica o reajuste de R$ 0,50 na tarifa de ônibus para 2026 com base na Lei 11.458/2023 e na metodologia da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP). O cálculo considera a alta dos custos operacionais, como combustíveis, manutenção e despesas com pessoal. Veja abaixo nota na íntegra:

"A Prefeitura de Belo Horizonte informa que o reajuste anual da tarifa do transporte coletivo está previsto na Lei 11.458/2023 e está vinculado à estimativa de custeio do sistema para o exercício seguinte. O cálculo é realizado com base na metodologia da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP).

A análise considera custos operacionais como combustível, lubrificantes, pneus, peças e acessórios, além de despesas com pessoal, licenciamento, depreciação, remuneração da frota e tributos. Além de previsto em contrato, o reajuste é necessário para garantir a continuidade dos investimentos no sistema e a manutenção e ampliação das melhorias no transporte público.

Em um esforço da gestão financeira do município, foi possível manter para 2026 o mesmo reajuste aplicado neste ano, de R$ 0,50.  

Para reduzir o impacto para os usuários, o complemento da tarifa continuará sendo custeado pela Prefeitura de Belo Horizonte, conforme previsto na Lei 11.458. Cabe ressaltar que, sem esse subsídio, o valor da tarifa do transporte público seria de R$ 10,30.

Desde 2023, o modelo de remuneração do sistema é baseado no pagamento por quilômetro rodado, condicionado ao cumprimento de exigências legais, como o respeito ao quadro de horários, à quantidade de viagens e aos padrões de qualidade da frota".

Aumentos na região metropolitana

Vale lembrar que a insatisfação também atinge as cidades vizinhas. Em Contagem, o aumento já está em vigor desde hoje (30), elevando a tarifa para R$ 6,75. Além disso, o transporte metropolitano terá um reajuste de 8,93% a partir de 9 de janeiro, impactando milhares de trabalhadores que se deslocam entre as cidades da Grande BH.

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