'9° círculo'

Operação prende 14 suspeitos de fraude bancária de R$ 21,9 milhões em Minas

Grupo investigado adulterava cartões de crédito durante entregas, abria contas com documentos falsos e tinha atuação na Grande BH e em Sete Lagoas

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 11/06/2026 às 12:29.Atualizado em 11/06/2026 às 12:51.
Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão (Divulgação/ MPMG)
Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão (Divulgação/ MPMG)

A Operação 9º Círculo do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) prendeu nesta quinta-feira (11) 14 suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias que teria movimentado mais de R$ 21,9 milhões em transações ilegais.O grupo é investigado por adulteração de cartões de crédito, abertura fraudulenta de contas bancárias e lavagem de dinheiro na Grande BH e em Sete Lagoas, na região Central do Estado.

Além dos mandados de prisão preventiva, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados, além do sequestro de veículos.

Durante as investigações, foram identificados 1.289 cartões adulterados ligados a entregas realizadas por empresas de logística contratadas por instituições financeiras. A quebra de sigilo bancário revelou mais de 87 mil movimentações financeiras associadas aos investigados.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsável pela investigação, o esquema atuava pelo menos desde 2023 e possuía uma estrutura organizada, com funções definidas entre os integrantes. 

Segundo o coordenador do Gaeco Minas, o promotor de Justiça Giovanni Avelar Vieira, a organização operava em duas frentes principais. A primeira envolvia o desvio de cartões bancários durante o processo de entrega aos clientes.

“Os cartões de crédito eram desviados, tinham seus chips retirados e, no lugar, eram colocados outros chips. O pacote era refeito e encaminhado para as vítimas”, explicou.

A prática, conhecida no meio policial como “cesárea”, contava com a participação de funcionários cooptados de empresas responsáveis pela distribuição dos cartões. Enquanto as vítimas recebiam os cartões adulterados, os criminosos utilizavam os chips originais para realizar compras e outras transações fraudulentas.

As investigações apontam que os suspeitos obtinham dados e senhas das vítimas por meio de engenharia social. Em muitos casos, os clientes acreditavam estar em contato com a instituição financeira e acabavam fornecendo informações sigilosas aos golpistas.

Ainda conforme o Gaeco, a segunda frente de atuação do grupo consistia na abertura de contas bancárias com documentos falsificados em nome de terceiros, principalmente idosos e aposentados. A partir dessas contas, eram contratados empréstimos e emitidos cartões de crédito de forma irregular.

Segundo o Ministério Público, ao menos um funcionário de instituição financeira é investigado por supostamente facilitar a abertura dessas contas e remover mecanismos de segurança.

“O alvo principal seriam os idosos e aposentados, mas infelizmente hoje toda e qualquer pessoa tem sido vítima desse tipo de golpe”, afirmou Giovanni Avelar Vieira.

Os investigados poderão responder, entre outros crimes, por organização criminosa, estelionato, furto mediante fraude e lavagem de dinheiro. 

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