Pastoral 'caça' 40 casas com aluguel de até R$ 800 para impedir que famílias voltem às ruas
Iniciativa da Pastoral do Povo da Rua, em parceria com o Ministério Público, tenta garantir continuidade de moradia para pessoas que já deixaram a situação de rua

Um projeto social busca 40 imóveis na Região Metropolitana de Belo Horizonte para evitar que famílias que já superaram a situação de rua voltem a viver sem moradia. A iniciativa faz parte do programa Moradia Primeiro, desenvolvido pela Pastoral Nacional do Povo da Rua, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais, que entra agora em uma fase de transição para a política pública habitacional do município.
Atualmente, as unidades são destinadas a essas 40 famílias - uma ou mais pessoas que já vivem em casas alugadas - há cerca de dois anos. Com o fim do projeto piloto, os beneficiários passarão a integrar o programa Bolsa Moradia, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o que exige a formalização de novos contratos de aluguel.
Segundo a integrante da gestão da Pastoral Nacional do Povo da Rua, Maria Cristina Bove, a busca pelos imóveis se intensificou devido à mudança de modalidade. “Nesse processo de transição para a política pública, tem proprietários que não fecham contrato com a prefeitura, porque muda a forma de pagamento. Como o tempo é curto, ampliamos a divulgação para conseguir novas casas”, explica.
Moradia como ponto de partida
O Moradia Primeiro segue a metodologia internacional “Housing First”, que prioriza o acesso à moradia como passo inicial para a reconstrução da vida de pessoas em situação de rua. “Você oferta moradia como a primeira política. Depois que a pessoa está instalada, ela consegue resolver outras demandas, como saúde, documentação, trabalho e estudo”, afirma Maria Cristina.
Além da oferta de moradia, o projeto conta com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, formada por educadores sociais, que auxiliam na adaptação à nova rotina. Após esse período, os beneficiários passam a ter mais autonomia dentro da política pública municipal.
Como funciona o Bolsa Moradia
Com a transição, as famílias passam a receber o benefício do Bolsa Moradia, que prevê o pagamento de até R$ 800 mensais para aluguel. O valor pode ser repassado diretamente ao proprietário ou ao beneficiário, que fica responsável por efetuar o pagamento e prestar contas à prefeitura.
“Isso depende do acordo. Quando a pessoa já tem mais autonomia, ela mesma paga o aluguel e apresenta o recibo”, explica a representante da Pastoral.
Falta de imóveis é principal desafio
Apesar do recurso garantido, a principal dificuldade está na oferta de imóveis dentro desse valor. “O maior desafio hoje é a oferta de moradia. Os aluguéis estão mais caros e nem sempre conseguimos imóveis dentro desse limite”, afirma Maria Cristina.
Os imóveis precisam atender a critérios mínimos, como não estarem em áreas de risco e apresentarem condições adequadas de habitabilidade, com ventilação, iluminação e estrutura segura.
Risco de retrocesso
Sem a adesão de proprietários, há o risco de retrocesso para quem já deixou as ruas. A iniciativa também destaca que o acesso à moradia é essencial para romper o ciclo de vulnerabilidade social. “Não pode voltar para a rua de jeito nenhum. Nós temos que encontrar essas casas. Do contrário, serão 40 pessoas novamente em situação de rua. Se você não oferece casa, como a pessoa vai sair da rua?”, questiona.
Ao longo dos três anos do projeto, diversos beneficiários conseguiram novas trajetórias. Um dos casos citados é o de um ex-morador de rua que conseguiu concluir a pós-graduação e retornar ao mercado de trabalho após ingressar no programa.
Como ajudar
Proprietários de imóveis na Região Metropolitana de Belo Horizonte que tenham interesse em alugar unidades para o projeto podem entrar em contato diretamente com a coordenação do Moradia Primeiro. O atendimento é feito pelo telefone/WhatsApp (31) 9295-0154.
Leia também: