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Pastoral 'caça' 40 casas com aluguel de até R$ 800 para impedir que famílias voltem às ruas

Iniciativa da Pastoral do Povo da Rua, em parceria com o Ministério Público, tenta garantir continuidade de moradia para pessoas que já deixaram a situação de rua

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 14/04/2026 às 14:14.Atualizado em 15/04/2026 às 13:07.
Famílias atendidas pelo projeto Moradia Primeiro vivem há cerca de dois anos em casas alugadas e precisam de novos imóveis para continuidade do atendimento (Equipe Projeto Moradia Primeiro)
Famílias atendidas pelo projeto Moradia Primeiro vivem há cerca de dois anos em casas alugadas e precisam de novos imóveis para continuidade do atendimento (Equipe Projeto Moradia Primeiro)

Um projeto social busca 40 imóveis na Região Metropolitana de Belo Horizonte para evitar que famílias que já superaram a situação de rua voltem a viver sem moradia. A iniciativa faz parte do programa Moradia Primeiro, desenvolvido pela Pastoral Nacional do Povo da Rua, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais, que entra agora em uma fase de transição para a política pública habitacional do município.

Atualmente, as unidades são destinadas a essas 40 famílias - uma ou mais pessoas que já vivem em casas alugadas - há cerca de dois anos. Com o fim do projeto piloto, os beneficiários passarão a integrar o programa Bolsa Moradia, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o que exige a formalização de novos contratos de aluguel.

Segundo a integrante da gestão da Pastoral Nacional do Povo da Rua, Maria Cristina Bove, a busca pelos imóveis se intensificou devido à mudança de modalidade. “Nesse processo de transição para a política pública, tem proprietários que não fecham contrato com a prefeitura, porque muda a forma de pagamento. Como o tempo é curto, ampliamos a divulgação para conseguir novas casas”, explica.

Moradia como ponto de partida

O Moradia Primeiro segue a metodologia internacional “Housing First”, que prioriza o acesso à moradia como passo inicial para a reconstrução da vida de pessoas em situação de rua. “Você oferta moradia como a primeira política. Depois que a pessoa está instalada, ela consegue resolver outras demandas, como saúde, documentação, trabalho e estudo”, afirma Maria Cristina.

Além da oferta de moradia, o projeto conta com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, formada por educadores sociais, que auxiliam na adaptação à nova rotina. Após esse período, os beneficiários passam a ter mais autonomia dentro da política pública municipal.

Como funciona o Bolsa Moradia

Com a transição, as famílias passam a receber o benefício do Bolsa Moradia, que prevê o pagamento de até R$ 800 mensais para aluguel. O valor pode ser repassado diretamente ao proprietário ou ao beneficiário, que fica responsável por efetuar o pagamento e prestar contas à prefeitura. 

“Isso depende do acordo. Quando a pessoa já tem mais autonomia, ela mesma paga o aluguel e apresenta o recibo”, explica a representante da Pastoral.

Falta de imóveis é principal desafio

Apesar do recurso garantido, a principal dificuldade está na oferta de imóveis dentro desse valor. “O maior desafio hoje é a oferta de moradia. Os aluguéis estão mais caros e nem sempre conseguimos imóveis dentro desse limite”, afirma Maria Cristina.

Os imóveis precisam atender a critérios mínimos, como não estarem em áreas de risco e apresentarem condições adequadas de habitabilidade, com ventilação, iluminação e estrutura segura.

Risco de retrocesso

Sem a adesão de proprietários, há o risco de retrocesso para quem já deixou as ruas. A iniciativa também destaca que o acesso à moradia é essencial para romper o ciclo de vulnerabilidade social. “Não pode voltar para a rua de jeito nenhum. Nós temos que encontrar essas casas. Do contrário, serão 40 pessoas novamente em situação de rua. Se você não oferece casa, como a pessoa vai sair da rua?”, questiona.

Ao longo dos três anos do projeto, diversos beneficiários conseguiram novas trajetórias. Um dos casos citados é o de um ex-morador de rua que conseguiu concluir a pós-graduação e retornar ao mercado de trabalho após ingressar no programa.

Como ajudar

Proprietários de imóveis na Região Metropolitana de Belo Horizonte que tenham interesse em alugar unidades para o projeto podem entrar em contato diretamente com a coordenação do Moradia Primeiro. O atendimento é feito pelo telefone/WhatsApp (31) 9295-0154.

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