Patinetes elétricos já têm quase 150 mil usuários em BH; serviço será debatido na Câmara
Equipamentos somam mais de 800 mil viagens e 1 milhão de quilômetros percorridos; audiência nesta quinta (27) discutirá segurança e fiscalização

Quase 150 mil pessoas já se cadastraram para utilizar os patinetes elétricos compartilhados em Belo Horizonte desde que o serviço voltou às ruas da capital, em 18 de março. Dados da JET, empresa responsável pela operação, mostram ainda que os equipamentos acumulam mais de 800 mil viagens e ultrapassaram a marca de 1 milhão de quilômetros percorridos. Em meio à rápida adesão e aos problemas registrados desde a implantação, o serviço será tema de uma audiência pública na Câmara Municipal, nesta quinta-feira (27).
O encontro está marcado para 13h30, na Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços. A discussão foi solicitada pelo vereador Uner Augusto (PL) e deverá abordar os impactos dos patinetes na mobilidade, segurança viária, acessibilidade e convivência entre os diferentes usuários das ruas e calçadas da cidade. Um representante da JET participará da audiência, conforme confirmado pela empresa à reportagem.
Serviço cresce e chega à Pampulha
Os patinetes retornaram às ruas de BH em 18 de março, inicialmente nas regiões Centro-Sul e Oeste. A operação começou com cerca de 1,5 mil equipamentos. Para utilizar o serviço, é necessário ter pelo menos 18 anos, fazer cadastro no aplicativo da operadora e pagar pelo uso.
Em julho, a área atendida foi ampliada para a Pampulha, que recebeu 300 equipamentos e 20 estações, sendo 18 físicas e duas virtuais. Os patinetes passaram a circular pelas avenidas Coronel Oscar Paschoal e Otacílio Negrão de Lima, com proibição de uso no trecho da barragem da Pampulha, na avenida Pedro I.
A expansão ocorreu em meio a uma série de discussões sobre a maneira como os equipamentos são utilizados e os impactos sobre pedestres e o trânsito.
Irregularidades e acidentes entram no debate
Logo no primeiro fim de semana de funcionamento, o Hoje em Dia flagrou usuários empinando patinetes, circulando na contramão, transportando passageiros, usando os equipamentos sendo menores de 18 anos e carregando sacolas no guidão.
Também foram registrados equipamentos deixados em locais inadequados, como praças, ciclovias, esquinas, barrancos, viadutos, bueiros e até sobre pisos táteis usados por pessoas com deficiência visual.
As ocorrências levaram a Guarda Municipal a anunciar o reforço da fiscalização, enquanto a JET informou que colocaria equipes próprias nas ruas para orientar usuários e promover ações educativas.
O tema também chegou ao Ministério Público (MPMG), que, ainda em março, instaurou procedimento administrativo para acompanhar as condições de funcionamento do serviço e verificar a segurança tanto dos usuários quanto dos pedestres.
Câmara discute até restrição nas calçadas
A audiência desta quinta ocorre enquanto ainda tramita na Câmara um projeto que pode proibir a circulação e o estacionamento de patinetes elétricos nas calçadas de Belo Horizonte. A proposta já recebeu aval das Comissões de Legislação e Justiça e Mobilidade Urbana e ainda precisa passar por outras comissões antes de chegar ao Plenário.
Atualmente, as regras permitem velocidade máxima de 6 km/h em calçadas, praças e parques e de 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas. A circulação também é autorizada em vias com velocidade regulamentada de até 40 km/h. O uso deve ser individual e é restrito a maiores de 18 anos; o capacete é recomendado, mas não obrigatório.
Na audiência, a expectativa é que sejam discutidos justamente os mecanismos de fiscalização, os acidentes registrados, as ações de educação para o trânsito e os critérios usados pela prefeitura para avaliar e ampliar a operação.
Além da JET, foram convidados representantes da Secretaria Municipal de Governo, da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, da Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob) e da BHTrans. O encontro poderá ser acompanhado presencialmente no Plenário Helvécio Arantes ou pela transmissão da Câmara.
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