
Impactantes. Assim são as imagens captadas pelas lentes do fotógrafo amador Gustavo Caetano, de 42 anos, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. O engenheiro de software mostrou cenas de dor e resistência na cidade arrasada pelas chuvas. Nascido e criado no município, ele revela o estranhamento ao pisar nas ruas por onde andou durante toda a vida. Hoje, as vias estão tomadas pela lama, em um marrom que tinge até mesmo o branco do alto dos prédios.
"É uma experiência extracorporal, sabe?", conta Gustavo, ao chegar no bairro Santo Antônio, onde morou por 23 anos. O local foi um dos mais atingidos pela tragédia, ao contrário do São Pedro, onde vive atualmente, que ficou “praticamente isolado”.
O engenheiro também esteve no Paineiras - também fortemente afetado pela catástrofe. Lá, uma senhora o pediu para que tirasse uma foto da casa dela. Na imagem, o que antes era um jardim agora é um bloco de pura terra. Apenas uma máquina de lavar se salvou. Na região, telhados de metal já retorcidos, galhos e olhares fixos dos voluntários ilustram o cenário de perdas.
Gustavo Caetano é voluntário em um centro de triagem de alimentos, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “Recebemos as doações, fazemos contato direto com a prefeitura e os materiais vão para abrigos, ONGs ou lugares que estão trabalhando junto às pessoas afetadas”.
Dentre os locais transformados em abrigos estão as escolas da cidade. Brinquedos, roupas e itens de higiene se aglomeram no que há pouco mais de uma semana funcionava como uma sala de aula.
*Estagiário, sob a supervisão de Renato Fonseca
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