'Operação Sucata’

Pelo menos dois carros abandonados são retirados das ruas de BH por dia

Desde março de 2024, 1,6 mil veículos foram removidos; cenário aumenta sensação de insegurança e risco de dengue

Bernardo Haddad e Gledson Leão
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 17/07/2026 às 19:05.Atualizado em 17/07/2026 às 19:27.
Carro abandonado há cerca de um ano na rua José Clemente Pereira, trazendo problemas de segurança e acúmulo de sujeira (Valéria Marques/ Hoje em Dia)
Carro abandonado há cerca de um ano na rua José Clemente Pereira, trazendo problemas de segurança e acúmulo de sujeira (Valéria Marques/ Hoje em Dia)

Caminhar por algumas ruas de Belo Horizonte muitas vezes parece um passeio por um cemitério de carros a céu aberto. Carcaças depenadas transformaram-se em parte da paisagem urbana. Os veículos abandonados aumentam a sensação de insegurança da população e são potenciais focos do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. A prefeitura garante que ações têm sido feitas. Por dia, pelo menos dois automóveis nessas condições são retirados das ruas. 

Um exemplo está na rua José Clemente Pereira, no bairro Ipiranga, na região Nordeste da capital, onde um Chevrolet Monza, que no passado já foi um sucesso da indústria automobilística, agora está todo destruído, até mesmo sem as rodas. O carro virou um criadouro do Aedes aegypti.  

Segundo moradores, o veículo permanece no local há cerca de um ano, gerando também problemas de insegurança. A professora aposentada Wanessa Tolentino Mota, de 57 anos, mora na via há mais de duas décadas e afirma que a situação é grave. 

"Já vi pessoas entrando no carro. Agora colocaram um colchão lá dentro e a gente nem sabe se alguém está dormindo ali durante a madrugada. Também preocupa a sujeira e o risco de incêndio. Não é lugar para um carro ficar abandonado".

Para ela, o problema afeta diretamente a percepção sobre a região. "É uma irresponsabilidade deixar um carro desse jeito na rua. A gente quer uma cidade limpa e organizada", acrescenta.

Moradora da mesma rua, a bióloga Juliana Prado, de 47 anos, conta que a vizinhança já procurou os órgãos responsáveis diversas vezes, mas não obteve resultado prático. "Esse carro está aí há cerca de um ano. A gente liga para a prefeitura, passa para a BHTrans, mas não consegue retorno. Além da sujeira, é um foco de doenças. Cada dia desaparece uma peça diferente, mas a carcaça continua no mesmo lugar", relata.

Números

Em BH, pelo menos dois carros em estado de abandono são removidos das ruas diariamente em 2026. Neste ano, 448 veículos foram retirados. Conforme números da prefeitura, desde março de 2024, quando teve início a remoção de veículos em estado de abandono, 1.698 carros já foram recolhidos. 

  • 2024 foram 573 veículos recolhidos
  • 2025 foram 677 veículos recolhidos
  • 2026 (até junho) foram 448 veiculos recolhidos

Prazos legais

Questionada sobre a situação, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que o veículo da rua José Clemente Pereira já passou por vistoria e que a notificação para a retirada foi encaminhada ao proprietário. Caso a notificação não seja entregue ou não haja comprovação de que o dono tomou conhecimento, um edital será publicado no Diário Oficial do Município (DOM).

Após a notificação oficial, o proprietário tem o prazo de cinco dias úteis para retirar o veículo da via pública. Se a determinação não for cumprida, o automóvel é removido para um pátio, onde o dono ainda pode recuperá-lo em até 60 dias mediante a regularização das pendências. Após esse período, o bem pode ser encaminhado para leilão.

O Executivo municipal informou ainda que, na mesma rua, um veículo já foi removido anteriormente, enquanto outros passaram por vistoria e seguem os procedimentos previstos na legislação vigente. 

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