
O motorista de aplicativo que levou a diarista suspeita de assassinar o casal de idosos até a Praça 7, no Centro de Belo Horizonte, após ela sair do apartamento no bairro São Pedro, na zona Sul, não teve participação no crime. O homem foi ouvido e liberado nesta sexta-feira (3) pela Polícia Civil.
"Na data de hoje, inclusive, conseguimos realizar a identificação do motorista, trata-se de um motorista de aplicativo que a princípio nada tem a ver com o crime. Ele pegou uma corrida e levou a investigada à região Central de Belo Horizonte”, afirmou o delegado Gustavo Barletta, responsável pelo caso.
Antes de entrar no veículo, estacionado em uma rua próxima ao apartamento, a mulher jogou as roupas ensanguentadas em uma caçamba. Lá, também foram encontrados recipientes que guardavam os relógios do casal.
Na manhã desta sexta, os investigadores constataram a presença de substâncias calmantes e sedativas nas amostras de sangue das vítimas. A suspeita disse à polícia ter utilizado quatro comprimidos na bebida. “A investigada informou que também teria ingerido o remédio. Na verdade, os laudos apontam que seu sangue não apresenta qualquer tipo de vestígio deste remédio”, relatou o delegado Gustavo Barletta, responsável pelo caso.
Relógios, celulares e dinheiro em espécie
Ainda segundo a polícia, os relógios pertencentes às vítimas foram localizados e devolvidos pelo comprador na quinta-feira (2). De acordo com a instituição, não há indícios de que o homem tenha “agido de má fé”. Já com a suspeita, foi encontrado dinheiro em espécie. Segundo os investigadores, os valores já foram devolvidos à familia.
Os celulares dos idosos foram recuperados pela PC na tarde da última quarta (1º), em Vespasiano, na Grande BH. Segundo os delegados, eles foram encontrados enrolados em papel alumínio.
O que diz a defesa da suspeita
A defesa da investigada manifestou-se informando que as razões formais serão apresentadas no momento processual oportuno. Em nota, o advogado Bruno Correa Lemos destacou que qualquer conclusão sobre a responsabilidade de sua cliente deve decorrer exclusivamente da regular instrução do processo, evitando julgamentos antecipados.
Relembre o crime
Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira, de 76, foram mortos com mais de 40 facadas. As investigações indicam que o crime aconteceu na tarde da última segunda-feira (29).
Quem eram as vítimas
Cláudio Atala e Maria Clotilde eram conhecidos pela rotina ativa, viagens em família e forte ligação com o trabalho. Eles foram descritos por conhecidos como pessoas cheias de vida, que gostavam de conhecer o mundo e compartilhar momentos felizes com parentes e amigos nas redes sociais.
Cláudio era advogado atuante, pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas e sócio-fundador do escritório Atala Inácio Advogados Associados, na capital mineira. Conforme a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), ele concentrava o trabalho principalmente nas áreas trabalhista e empresarial.
Maria Clotilde dedicou anos de sua vida ao comércio varejista na capital. Ela constava como ex-sócia da empresa Homestore Presentes e Decoração, estabelecimento que também funcionava no bairro São Pedro e que atualmente encontra-se com o CNPJ baixado. De acordo com o sobrinho do casal, Henrique Maciel, ela também teve um passado dedicado ao esporte, atuando como atleta por muitos anos.
*Estagiário, sob a supervisão de Renato Fonseca
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