POLÍCIA INVESTIGA

Pós-doutora denuncia racismo em padaria de BH após acusação de roubo: caso mais brutal da minha vida

Pesquisadora gravou vídeo que já soma mais de 140 mil visualizações nas redes sociais

Leandro Alves*
@leandroalves04
Publicado em 19/08/2026 às 16:39.Atualizado em 19/08/2026 às 18:04.

Pós-doutora em antropologia afro-brasileira, a mineira Rosália Diogo, de 62 anos, denunciou ter sido vítima de racismo em uma padaria na avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte. O relato está em um vídeo que já soma mais de 140 mil visualizações nas redes sociais. A Polícia Civil investiga o caso.

Ao Hoje em Dia, Rosália contou ter sofrido preconceito "a vida inteira", mas que este foi o caso “mais direto e brutal” já enfrentado. No último domingo (16), a pesquisadora saiu de um show no Palácio das Artes e foi ao estabelecimento.

Lá, comprou uma garrafa de vinho e outros produtos. “Depois de pagá-los, quando já estava na calçada, dois fiscais me pararam e disseram para eu abrir a bolsa. Quase tive um troço”, conta Rosália. Após se recusar, a antropóloga teria questionado o que estava acontecendo.

Segundo ela, um dos fiscais disse que a viu "pegando uma garrafa de vinho”. Conforme Rosália, os funcionários da padaria se recusaram a verificar a nota fiscal apresentada, afirmando que iriam chamar a Polícia Militar (PM).

“Eu insisti, ‘quero que vocês chamem’, mas eles não chamaram. Logo depois, ligaram para alguém da empresa, pedindo para verificar as câmeras. Só depois me liberaram”, contou.

Rosália procurou um advogado e foi a uma delegacia para prestar queixa, na segunda-feira (17).

Funcionários da padaria são afastados

A padaria informou que apura internamente o caso e, por "cautela", afastou os fiscais envolvidos enquanto durar a apuração. "A empresa mantém protocolos de atendimento aplicáveis e não tolera discriminação de qualquer natureza. O empreendimento manifestou-se diretamente à cliente e permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários". 

Crime de racismo

Segundo o Código Penal, é crime de racismo cometer injuria contra alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional. A pena varia de 2 a 5 anos de prisão, além do pagamento de multa. O crime é inafiançável e não prescreve.

Curadora e editora

Nascida em Nanuque, no Vale do Jequitinhonha, Rosália Diogo é professora, comunicadora e curadora do Instituto Cultural Casarão das Artes Negras, no bairro Boa Vista, na região Leste.

Reuniões com músicos e contadores de histórias são organizadas no espaço. "Sempre buscamos fazer os encontros em quilombos e locais de resistência, como o Quilombo das Mangueiras e o Reinado Treze de Maio”, afirmou a pesquisadora.

Rosália também é editora na Revista Canjerê, projeto independente sobre a cultura africana e afro-brasileira.

*Estagiário, sob a supervisão de Renato Fonseca

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por