
Quem acessa a avenida Cristiano Machado, vindo de bairros da região Norte de BH, como Ribeiro de Abreu e Novo Aarão Reis, convive diariamente com risco e abandono na altura da estação São Gabriel. As obras da Praça das Águas estão paralisadas desde novembro de 2025 e deixaram um rastro de lixo, barro, mau cheiro, mato alto, pedaços de madeira, ferros, cones quebrados e buracos, além de trechos com interdições.
Sem operários ou máquinas na pista, motoristas e pedestres estão na bronca com os transtornos enfrentados. Quem trafega pelo trecho precisa redobrar a atenção. Em uma das faixas, próximo a um semáforo, condutores precisam fazer manobras bruscas para desviar de uma cratera.
O Hoje em Dia foi ao local e flagrou carros, motos e caminhões quase colidindo para fugir das armadilhas. “Passo sempre aqui e esse buraco já está aí tem pelo menos um ano. É um absurdo, deixa a pista mais estreita, um perigo. Pelo menos está sinalizado agora, porque antes nem isso”, afirma o marceneiro Paulo Costa, de 69 anos.
O buraco já causou até prejuízo para alguns condutores. Caso do estudante de biomedicina Marcos Paulo, de 22 anos. “Incomoda 100%. Meu parachoque já até soltou por conta desse buraco. Às vezes, quando está mais apertado o trânsito, um caminhão ou ônibus pode te afunilar ali. Já era para estar arrumado”.
Obras paradas e sem previsão de retorno
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) não informou quando a obra será retomada nem se irá enviar equipes para limpeza e reparo dos problemas relatados pela reportagem.
As intervenções foram interrompidas após a identificação de supostas irregularidades nos contratos firmados com os consórcios responsáveis. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que iniciou uma auditoria interna, em fevereiro de 2025, que apontou falhas na execução que teriam gerado prejuízo superior a R$ 35 milhões aos cofres públicos.
“Os contratos foram paralisados e uma equipe técnica da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) está, no momento, empenhada na análise das medidas legais e administrativas para retomada das obras na maior celeridade possível”, informou a PBH, sem cravar uma data para o retorno das intervenções. A previsão é que a sinalização horizontal (pinturas no asfalto) seja concluída ainda neste mês de março.
A obra, iniciada em setembro de 2022, possui investimento total de R$ 78 milhões. O projeto de macrodrenagem prevê a criação de uma estrutura hidráulica capaz de armazenar 27 milhões de litros de água.
Segundo a PBH, o objetivo é captar o excedente dos ribeirões Pampulha e Onça, além do córrego Cachoeirinha, evitando que a avenida Cristiano Machado fique intransitável durante o período chuvoso.
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