
O advogado Vinicius Moreira Mitre, primo da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, afirmou que a diarista presa por matar o casal de idosos apresentava um comportamento completamente diferente daquele que conheceu quando a contratou, em outubro do ano passado. Foi ele quem indicou a mulher para trabalhar na casa das vítimas, no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte, e, agora, diz conviver com um sentimento de culpa após a confissão do crime.
Segundo o advogado, durante meses a diarista prestou serviços em sua casa sem qualquer problema. Ele conta que a mulher era cuidadosa, organizada e conquistou sua confiança. “Nunca sumiu um alfinete em casa, nunca tive problema. Pelo contrário, ela era muito caprichosa, muito atenciosa, muito cuidadosa comigo, das minhas roupas, da comida”, relembrou.
Segundo ele, a diarista mudou de comportamento após uma viagem ao Sul do país, que a mulher teria retornado diferente e passou a apresentar mudanças de comportamento. “Começou a demonstrar alguns desvios de comportamento e começou a tomar muito remédio”, disse.
Vinicius relata que a diarista costumava enviar mensagens mostrando comprimidos de um medicamento calmante e dizia ter ingerido grandes quantidades do remédio. “A última mensagem que mandei para ela foi: ‘você está exagerando. Você está tomando isso sem prescrição médica. Você vai ter uma parada cardiorrespiratória a qualquer momento’.”
Ligação no dia do crime
O primo da vítima contou que, na tarde de segunda-feira (29), dia em que o casal foi assassinado, recebeu uma ligação da diarista informando que Maria Clotilde estava passando mal.
Segundo Vinicius, a mulher contou que a empresária estava deitada enquanto o marido dormia no quarto e pediu orientação. “Ela falou: ‘A Tide está passando mal’. Eu respondi: ‘Vai lá e acorda o Cláudio. O marido dela está aí, está na cama. Pega o telefone do filho deles e liga para ele’.”
O advogado conta que não associou a ligação a nada, apenas no dia seguinte, ao saber do assassinato do casal e do desaparecimento da diarista, passou a desconfiar de que ela pudesse estar envolvida.
Advogado pode ter sido dopado
Vinicius revelou ainda que, meses antes, passou mal de forma repentina enquanto a diarista trabalhava em sua residência. Segundo ele, a funcionária chegou a dizer à sua secretária que ele teria exagerado na bebida, hipótese que ele nega.
“Poderia ser comigo também. Teve um episódio em que eu passei mal lá em casa de uma hora para outra. Ela ligou para minha secretária dizendo que eu tinha bebido. Não foi isso. Alguma coisa aconteceu lá em casa. Eu não sei se ela tentou tramar, só que eu provoquei vômito quando comecei a passar mal.”
O advogado ressalta que não tem como afirmar o que ocorreu naquele dia, mas admite que, após a investigação revelar que a diarista confessou ter dopado o casal com o medicamento antes dos assassinatos, passou a rever o episódio.
Culpa e incredulidade
Vinicius afirma que ainda tem dificuldade para acreditar que a mulher, com quem conviveu por meses, tenha confessado o crime. “Hoje de manhã eu fiquei estarrecido de ver que ela confessou o crime. Essa não é a pessoa que eu conheci. Para mim ela foi excelente. Custo a acreditar que ela tenha tido esse surto.”
Ele também disse que se cobra diariamente por ter indicado a diarista aos familiares. Vinicius afirmou confiar no trabalho da Polícia Civil e disse que não pretende fazer suposições sobre uma eventual participação de outras pessoas.
O que diz a defesa da suspeita
De acordo com a defesa da diarista, as razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno. "Qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso", detalhou o advogado Bruno Correa Lemos.