
Pós-doutora em antropologia afro-brasileira, Rosália Diogo, de 62 anos, divulgou nas redes sociais, nesta terça-feira (25), um vídeo de agradecimento pelo apoio e pela solidariedade recebidos após sofrer um episódio de racismo em 16 de agosto, em uma padaria na avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte.
“Estou muito agradecida e me sentindo fortalecida para seguir adiante até as últimas consequências, para a gente colaborar de maneira efetiva no combate ao racismo estrutural e a qualquer outra forma de racismo constituído nessa sociedade brasileira”, afirmou a pesquisadora no vídeo.
Ao Hoje em Dia, Rosália relatou que foi bem acolhida na delegacia especializada da Polícia Civil e que se sentiu confortável para falar sobre o caso. Ela compareceu à instituição ao lado do advogado Roger Leal Diogo, nessa segunda-feira (24).
Segundo Rosália, a assessoria da padaria ligou para ela no dia seguinte ao ocorrido para se desculpar e avisar que as pessoas envolvidas no episódio foram afastadas dos cargos. “Para o racismo, não há desculpas”, afirmou.
A pesquisadora afirma ter boas expectativas em relação à reunião com o Ministério Público (MPMG), por intermédio da Coordenadoria de Combate ao Racismo e a Todas as Outras Formas de Discriminação (CCRAD/MPMG). O encontro está previsto para esta sexta-feira (28). “Tenho boas expectativas não somente pelo bom acolhimento, mas pelo conhecimento que o Ministério Público tem sobre o assunto e a forma como eles lidam com essas situações”.
De acordo com Rosália, o problema começou após ela sair de um show no Palácio das Artes e ir até a padaria. Ao comprar uma garrafa de vinho e outros produtos, foi abordada por dois fiscais, que teriam dito para ela abrir a bolsa. Após se recusar, a antropóloga questionou o que estava acontecendo.
Conforme a mulher, um dos fiscais disse que a viu “pegando uma garrafa de vinho”. Os funcionários da padaria teriam se recusado a verificar a nota fiscal apresentada, afirmando que chamariam a Polícia Militar (PM). “Eu insisti: ‘quero que vocês chamem’, mas eles não chamaram. Logo depois, ligaram para alguém da empresa, pedindo para verificar as câmeras. Só depois me liberaram”, contou.
O caso ganhou repercussão após Rosália fazer um desabafo nas redes sociais.
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