Decisão unânime

Professores da rede municipal de BH vão manter a greve, que já dura 23 dias

De acordo com a categoria, as tratativas com a Prefeitura de Belo Horizonte não tiveram "avanços concretos"

Leandro Alves*
@leandroalves04
Publicado em 19/05/2026 às 14:47.Atualizado em 19/05/2026 às 18:25.
Nesta terça, professores organizaram novo protesto na região central de BH  (SindRede - BH / Divulgação)
Nesta terça, professores organizaram novo protesto na região central de BH (SindRede - BH / Divulgação)

Em decisão unânime, professores da rede municipal de Belo Horizonte votaram pela continuidade da greve. A definição ocorreu em assembleia realizada nesta terça-feira (19), na Praça Afonso Arinos, região Central da capital. A paralisação da categoria já dura 23 dias.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (SindRede-BH), a decisão ocorre porque não houve "avanços concretos" nas tratativas com a prefeitura. 
 
“Não aceitaremos manobras. A PBH e a SMED não têm avançado nas tratativas com a categoria e na assembleia foi avaliado que, sim, a greve precisa continuar”, afirmou a diretoria colegiada do sindicato.

A próxima assembleia da categoria será realizada na sexta-feira (22), às 14h, na Praça da Estação, também na região central. Até lá, a categoria promete fazer panfletagens nas comunidades, conversar com as famílias dos estudantes, visitar escolas e buscar apoio de vereadores. 

O que motivou a paralisação

A paralisação foi iniciada por professores concursados da rede municipal, que cobram recomposição salarial e melhorias nas condições de trabalho. Segundo o sindicato dos docentes, há sobrecarga, falta de profissionais e ausência de transparência sobre vagas disponíveis nas escolas.

Na última sexta-feira (15), o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil) afirmou que não atenderá uma das oito reivindicações que, segundo ele, foram apresentadas pelo SindRede. A categoria cobra o fim das contratações via Organização da Sociedade Civil (OSCs).

O recado de Damião foi claro: as OSC´s fazem parte da atual gestão e “ninguém vai interferir no modelo de gestão da prefeitura”.

A PBH informou que nessa segunda-feira (18), em reunião com representantes do funcionalismo, foi apresentada proposta de reajuste geral de 4,11% para todos os servidores efetivos, retroativa a 1º de maio deste ano. "Somado ao reajuste de 2,40% concedido em janeiro de 2026, o índice total chega a 6,61%". Após o encontro, a Prefeitura também se reuniu com o sindicato da educação para avançar nas pautas específicas da categoria.

Segundo a prefeitura, 100% dos recursos do Fundeb são aplicados na educação municipal. "Atualmente, esses recursos custeiam cerca de 70% da folha de pagamento dos professores em sala de aula. Os outros 30% são complementados com recursos do Tesouro Municipal, que não são exclusivos da Educação".

Foi informado ainda que um professor em início de carreira na PBH recebe vencimento básico 26,85% acima do piso nacional, considerando a carga de 22,5 horas. "A Constituição Federal determina a aplicação mínima de 25% das receitas provenientes de tributos e transferências constitucionais da União e do Estado na educação. A Prefeitura de Belo Horizonte ressalta que esse percentual é sempre cumprido".

*Estagiário, sob a supervisão de Renato Fonseca

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