VALORIZAÇÃO DA ARTE

Projeto quer transformar avenida Afonso Pena em corredor cultural permanente no coração de BH

Iniciativa lançada nesta quinta-feira conecta espaços culturais, patrimônio, turismo e economia criativa ao longo da principal via da cidade

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 18/06/2026 às 15:21.Atualizado em 18/06/2026 às 15:43.
Projeto Avenida Cultural quer valorizar a Afonso Pena como corredor de cultura, turismo e patrimônio no Centro Histórico de Belo Horizonte (Maurício Vieira / Hoje em Dia)
Projeto Avenida Cultural quer valorizar a Afonso Pena como corredor de cultura, turismo e patrimônio no Centro Histórico de Belo Horizonte (Maurício Vieira / Hoje em Dia)

A avenida Afonso Pena, principal via de Belo Horizonte, passará a ser o eixo de um novo projeto cultural voltado à valorização do "Centro Histórico" da capital. Anunciada nesta quinta-feira (18), a Avenida Cultural pretende integrar equipamentos culturais, espaços turísticos, patrimônio arquitetônico e atividades artísticas em um percurso que vai da região da Rodoviária até a Serra do Curral.

A iniciativa faz parte do Circuito Cultural e Turístico Liberdade e é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), a Fundação Clóvis Salgado, o Cine Theatro Brasil e outras instituições da cidade. A proposta é organizar e fortalecer a programação existente ao longo da avenida, além de criar novos roteiros e atividades para moradores e turistas.

Segundo o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, o projeto surge para ampliar o alcance do Circuito Liberdade para além da Praça da Liberdade, criando um novo núcleo cultural.

"O Circuito Liberdade compreende toda a linha da Contorno e necessitava de projetos setoriais. Agora, inauguramos um outro núcleo do circuito, em parceria com equipamentos culturais que estão nesse percurso da Afonso Pena, que simboliza o centro cultural onde as pessoas mais transitam em Belo Horizonte", afirmou.

A proposta prevê a criação de roteiros temáticos ligados à arquitetura, ao patrimônio histórico, à arte, à religiosidade e à memória da metrópole. Também estão previstas apresentações musicais, espetáculos e ações em espaços públicos e privados ao longo do trajeto.

Para Leônidas Oliveira, a avenida reúne alguns dos principais símbolos da cultura belo-horizontina. "Da Rodoviária até a Serra do Curral temos um percurso de paisagem urbana formado por edifícios, equipamentos culturais e espaços que fazem parte do imaginário de quem frequenta Belo Horizonte. Temos o Palácio das Artes, o Cine Theatro Brasil, o Parque Municipal, a Feira Hippie e a própria Praça 7, que fala muito da construção da capital", destacou.

Praça 7 e Centro como protagonistas

A diretora-executiva da Associação Cine Theatro Brasil, Eliane Parreiras, ressaltou que a região concentra uma intensa circulação de pessoas e possui potencial para se consolidar ainda mais como polo cultural. "Só aqui na Praça 7, onde está o Cine Theatro Brasil, circulam mais de 800 mil pessoas por dia. É uma potência do ponto de vista cultural, com equipamentos importantes, comércio forte, serviços, espaços de convivência e uma arquitetura deslumbrante", afirmou.

Segundo ela, o projeto permitirá dar mais visibilidade aos roteiros culturais e históricos da região. "É uma oportunidade de jogar luz sobre a história, a memória e os aspectos arquitetônicos da avenida, para que cada cidadão participe ainda mais dessa vida cultural que existe na Afonso Pena", completou.

A gestão da Avenida Cultural será compartilhada entre os equipamentos participantes, com definição conjunta da programação e das ações voltadas ao público.

Tirolesa ligando Acaiaca ao Parque Municipal

Entre os espaços que integram o percurso está o Edifício Acaiaca, um dos marcos arquitetônicos do Centro de BH. O síndico do prédio, Antônio Rocha Miranda, afirmou que o local passa por um processo de revitalização para ampliar sua vocação turística e cultural.

Recentemente, o edifício abriu à visitação pública o antigo abrigo antiaéreo instalado no local durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, o prédio já conta com café e restaurante e prepara novos atrativos.

Segundo Antônio Rocha, um dos projetos aprovados pelo patrimônio histórico prevê a instalação de um piso de vidro no alto do edifício, permitindo que visitantes observem a cidade de uma perspectiva inédita. Outra proposta em estudo é a implantação de uma tirolesa ligando o 29º andar do Acaiaca ao Parque Municipal.

"O objetivo é atrair novamente as pessoas para o Centro. Durante anos houve um movimento de saída dos moradores para outras regiões da cidade. Agora queremos trazer o público de volta para viver e ocupar essa área histórica de Belo Horizonte", afirmou.

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