Projeto quer transformar avenida Afonso Pena em corredor cultural permanente no coração de BH
Iniciativa lançada nesta quinta-feira conecta espaços culturais, patrimônio, turismo e economia criativa ao longo da principal via da cidade

A avenida Afonso Pena, principal via de Belo Horizonte, passará a ser o eixo de um novo projeto cultural voltado à valorização do "Centro Histórico" da capital. Anunciada nesta quinta-feira (18), a Avenida Cultural pretende integrar equipamentos culturais, espaços turísticos, patrimônio arquitetônico e atividades artísticas em um percurso que vai da região da Rodoviária até a Serra do Curral.
A iniciativa faz parte do Circuito Cultural e Turístico Liberdade e é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), a Fundação Clóvis Salgado, o Cine Theatro Brasil e outras instituições da cidade. A proposta é organizar e fortalecer a programação existente ao longo da avenida, além de criar novos roteiros e atividades para moradores e turistas.
Segundo o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, o projeto surge para ampliar o alcance do Circuito Liberdade para além da Praça da Liberdade, criando um novo núcleo cultural.
"O Circuito Liberdade compreende toda a linha da Contorno e necessitava de projetos setoriais. Agora, inauguramos um outro núcleo do circuito, em parceria com equipamentos culturais que estão nesse percurso da Afonso Pena, que simboliza o centro cultural onde as pessoas mais transitam em Belo Horizonte", afirmou.
A proposta prevê a criação de roteiros temáticos ligados à arquitetura, ao patrimônio histórico, à arte, à religiosidade e à memória da metrópole. Também estão previstas apresentações musicais, espetáculos e ações em espaços públicos e privados ao longo do trajeto.
Para Leônidas Oliveira, a avenida reúne alguns dos principais símbolos da cultura belo-horizontina. "Da Rodoviária até a Serra do Curral temos um percurso de paisagem urbana formado por edifícios, equipamentos culturais e espaços que fazem parte do imaginário de quem frequenta Belo Horizonte. Temos o Palácio das Artes, o Cine Theatro Brasil, o Parque Municipal, a Feira Hippie e a própria Praça 7, que fala muito da construção da capital", destacou.
Praça 7 e Centro como protagonistas
A diretora-executiva da Associação Cine Theatro Brasil, Eliane Parreiras, ressaltou que a região concentra uma intensa circulação de pessoas e possui potencial para se consolidar ainda mais como polo cultural. "Só aqui na Praça 7, onde está o Cine Theatro Brasil, circulam mais de 800 mil pessoas por dia. É uma potência do ponto de vista cultural, com equipamentos importantes, comércio forte, serviços, espaços de convivência e uma arquitetura deslumbrante", afirmou.
Segundo ela, o projeto permitirá dar mais visibilidade aos roteiros culturais e históricos da região. "É uma oportunidade de jogar luz sobre a história, a memória e os aspectos arquitetônicos da avenida, para que cada cidadão participe ainda mais dessa vida cultural que existe na Afonso Pena", completou.
Tirolesa ligando Acaiaca ao Parque Municipal
Entre os espaços que integram o percurso está o Edifício Acaiaca, um dos marcos arquitetônicos do Centro de BH. O síndico do prédio, Antônio Rocha Miranda, afirmou que o local passa por um processo de revitalização para ampliar sua vocação turística e cultural.
Recentemente, o edifício abriu à visitação pública o antigo abrigo antiaéreo instalado no local durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, o prédio já conta com café e restaurante e prepara novos atrativos.
Segundo Antônio Rocha, um dos projetos aprovados pelo patrimônio histórico prevê a instalação de um piso de vidro no alto do edifício, permitindo que visitantes observem a cidade de uma perspectiva inédita. Outra proposta em estudo é a implantação de uma tirolesa ligando o 29º andar do Acaiaca ao Parque Municipal.
"O objetivo é atrair novamente as pessoas para o Centro. Durante anos houve um movimento de saída dos moradores para outras regiões da cidade. Agora queremos trazer o público de volta para viver e ocupar essa área histórica de Belo Horizonte", afirmou.
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