
Os edifícios Sulacap e Sulamérica, no quarteirão formado pela avenida Afonso Pena, rua da Bahia e Tamoios, no hipercentro de Belo Horizonte, são alvo de um projeto de financiamento para a requalificação dos imóveis. Batizada de “Janela Aberta”, a iniciativa visa a arrecadar fundos para comprar e, em seguida, demolir o anexo comercial erguido no local na década de 1970. Segundo os idealizadores, a construção desfigurou os dois prédios históricos.
A proposta apoiada por arquitetos, urbanistas, professores e representantes da sociedade civil será apresentada oficialmente amanhã, em evento para convidados, no edifício Acaiaca, também no Centro da capital. A ideia é que, após a demolição, a Praça da Independência, que existia no espaço hoje ocupado pelo anexo, seja reconstruída.
Os valores necessários para a compra e obras de revitalização não foram divulgados. De acordo com os organizadores, o tombamento dos edifícios, aprovado pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de BH, não contempla o anexo que deverá ser extinto. “É uma reivindicação antiga e muito importante para a cidade”, explica o arquiteto e professor da UFMG, Flávio Carsalade. “Todo o esforço está nascendo na sociedade civil. A ideia é que os recursos sejam arrecadados através de financiamento coletivo, e não com o poder público”, acrescenta.
História
O comerciante de moedas antigas Vulmar Ferreira da Silva, de 70 anos, que há mais de três décadas trabalha no anexo que pode desaparecer, não acredita que a iniciativa saia do papel. Ele alega que os rumores sobre o fim da galeria, onde também funcionam lojas e lanchonetes, já circulam há mais de 20 anos. “É muito caro indenizar todo mundo e já tentaram fazer isso muitas vezes. Duvido que aconteça”, diz.
Rodrigo e Ana Camargos, proprietários do restaurante Bem Natural, que há 25 anos funciona no edifício Sulamerica, afirmam que é difícil avaliar se a demolição trará benefícios. “Não é fácil medir o impacto disso, mas se a intervenção acontecer de fato, não acredito que seja em um curto prazo”, opina Rodrigo.
Já Paulo Roberto Melasippo, proprietário da Casa do Médico, estabelecimento mais antigo do local, instalado no edifício Sulacap, é indiferente à medida. “Não muda nada para nós”, afirma.
O vereador Gabriel Azevedo, responsável pelo projeto “Janela Aberta”, foi procurado, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição. Os responsáveis pelo anexo comercial não foram localizados. As torres do Sulacap e do Sulamérica têm, cada, 15 andares e foram inauguradas há 70 anos.