Investigação

Queda de 2 aviões, 4 mortos e muitas perguntas; veja o que se sabe sobre acidentes aéreos em Minas

Acidentes ocorreram em um intervalo de cinco horas, em Belo Horizonte e no Vale do Aço. Causas são investigadas pela Polícia Civil e pelo Cenipa

Do HOJE EM DIA
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 10/10/2026 às 12:02.Atualizado em 10/10/2026 às 12:21.

Duas quedas de aeronaves em um intervalo de aproximadamente cinco horas deixaram quatro pessoas mortas em Minas Gerais nesta sexta-feira (9). O primeiro acidente aconteceu pela manhã, quando um monomotor caiu sobre um galpão de manutenção do metrô, no bairro São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte. À tarde, um avião da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) caiu nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, em Ipatinga.

Apesar das circunstâncias distintas, os dois acidentes têm pontos que ainda precisam ser esclarecidos. As causas e as circunstâncias dos dois acidentes são investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), cada um dentro de suas atribuições.

Queda de monomotor em BH

O monomotor caiu no pátio de manutenção do metrô de Belo Horizonte, no bairro São Gabriel, na manhã de sexta-feira. A aeronave havia decolado do Aeroporto da Pampulha e caiu a cerca de quatro quilômetros do local de origem. O tempo entre a decolagem e o acidente teria sido de aproximadamente dois minutos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o piloto faria um pouso em Juatuba, na região metropolitana, e tinha previsão de retornar à Pampulha ainda no mesmo dia. Ele era o único ocupante do avião e morreu carbonizado.

Em nota, a concessionária Metrô BH informou que a aeronave atingiu o galpão onde funciona a oficina de manutenção de veículos ferroviários. Nenhum funcionário ficou ferido, e o acidente não afetou a operação do transporte coletivo nem do metrô.

De acordo com informações da Força Aérea Brasileira (FAB), o monomotor havia sido comprado em 2020 e tinha capacidade para transportar três passageiros, além do piloto.

A documentação da aeronave estava regular junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas o prazo de validade do Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade terminava na própria sexta-feira (9).

O avião não tinha autorização para realizar táxi aéreo, voos comerciais, instrução de voo ou serviços aéreos especializados.

O piloto que morreu  foi identificado como Daniel Salomão, de 31 anos, natural de Vitória da Conquista, na Bahia. O corpo do piloto foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IMLAR), em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Civil, ele foi liberado aos familiares na manhã deste sábado (10).

A PCMG informou que as investigações são conduzidas em conjunto com o Cenipa, respeitadas as atribuições de cada órgão.

Queda de avião da Polícia Militar em Ipatinga

O segundo acidente ocorreu por volta das 16h de sexta-feira, nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, na região de Ipatinga, a cerca de 216 quilômetros de Belo Horizonte.

Segundo a Polícia Militar, a aeronave havia acabado de decolar quando caiu. O avião, um Beechcraft Super King Air 300, identificado operacionalmente como Pégasus 17 e registrado sob o prefixo PP-EJO, explodiu após o impacto. Uma grande coluna de fumaça preta pôde ser vista à distância.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 16h20 para atender à ocorrência, registrada às margens do córrego Garrafinha, entre o muro do aeroporto e o loteamento Cidade Jardim, na altura do quilômetro 43 da BR-458.

A aeronave havia partido do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, por volta das 15h15. Os três militares realizavam um voo de recheque, procedimento utilizado para avaliar as habilidades dos pilotos.

Como era o avião da PMMG

O King Air B300 era um bimotor turboélice fabricado em 1986, com capacidade para nove passageiros, além do piloto. Segundo as informações divulgadas, a documentação da aeronave estava válida até abril de 2027.

O avião era utilizado pelo Comando de Aviação do Estado (ComAvE), inclusive em missões de transporte de órgãos para transplantes. Em oito anos, o serviço de aviação da PMMG transportou cerca de dois mil órgãos.

Quem são os três militares mortos

As vítimas foram identificadas como o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, de 49 anos, a tenente Alice dos Santos Almeida, de 34, e a tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 35.

Luis Fernando Silvestre: natural de Belo Horizonte, o tenente-coronel pilotava a aeronave no momento do acidente. Ele tinha mais de cinco mil horas de voo e era considerado o instrutor mais experiente da corporação, segundo o coronel Flávio Santiago, diretor de Comunicação Organizacional da PMMG. Ele deixou a esposa e três filhos.

Gabriela Emília Soares Lacerda Resende: também natural de Belo Horizonte, a tenente foi a primeira mulher da PMMG a se tornar piloto de aeronaves de asa fixa do Comando de Aviação do Estado. Ela acumulava cerca de 300 horas de voo, havia retornado recentemente da licença-maternidade e deixou o marido e dois filhos pequenos.

Na quinta-feira (8), um dia antes do acidente, a corporação havia publicado uma homenagem nas redes sociais para celebrar o retorno da militar às atividades. A mensagem destacava sua trajetória como mãe, piloto e policial militar.

Alice dos Santos Almeida: natural do Sul de Minas, a tenente tinha 34 anos e também acumulava aproximadamente 300 horas de voo.

Investigação dos acidentes

Os corpos dos três militares foram levados ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette, em Belo Horizonte, onde são submetidos aos exames periciais cabíveis.

A Polícia Civil informou que enviou uma equipe de perícia oficial ao local da queda e que as causas e as circunstâncias do acidente serão apuradas em conjunto com o Cenipa, dentro das atribuições de cada instituição.

No caso do monomotor que caiu em Belo Horizonte, a investigação também está sob responsabilidade dos dois órgãos. Até o momento, as informações divulgadas não apontam uma causa confirmada para nenhum dos acidentes.

Leia também:


 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por