Reincidência

R$ 3,3 milhões: Vale será multada em dobro por vazamentos em minas de Congonhas e Ouro Preto

Medida buscam garantir maior segurança, transparência e responsabilidade, diz Governo de Minas

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 30/01/2026 às 20:42.Atualizado em 30/01/2026 às 21:58.
Em 30 de janeiro, foi feita uma reunião com executivos da Vale e representantes da Semad, Cedec-MG, Bombeiros e PM (Cedec-MG/Divulgação)
Em 30 de janeiro, foi feita uma reunião com executivos da Vale e representantes da Semad, Cedec-MG, Bombeiros e PM (Cedec-MG/Divulgação)

A multa aplicada à mineradora Vale passou de R$ 1,7 milhão para R$ 3,3 milhões. A punição ocorre após falhas nas estruturas de drenagem das Minas de Fábrica e Viga, em Ouro Preto e Congonhas, na região Central. A medida foi formalizada jádurante reunião realizada nesta sexta-feira (30) entre representantes do Estado e executivos da empresa.

A atualização do valor, segundo o Estado, ocorreu em razão da reincidência da mineradora em situação semelhante, registrada em 3/8/2023, em Brumadinho. À época, foi aplicada multa de R$ 211.549,80 à empresa, após serem constatados danos relativos à supressão de vegetação nativa, sem licença ambiental, e em área de preservação ambiental permanente.

"A nova autuação, relacionada a Congonhas e Ouro Preto, considera esse histórico, uma vez que, de acordo com o Decreto 47.383/2018, a reincidência é caracterizada quando o autuado comete uma nova infração ambiental, após ter sido penalizado anteriormente de forma definitiva, em um período inferior a três anos", informou o Governo de Minas.

Segundo secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lyssandro Norton, as medidas adotadas buscam garantir maior segurança, transparência e responsabilidade por parte da empresa. 

“Após os episódios nas minas de Congonhas e Ouro Preto, a equipe técnica da Semad, que segue acompanhando os episódios in loco, fez o levantamento do histórico de ocorrências anteriores. Seguindo a legislação, estamos aplicando uma multa dobrada, devido à reincidência. A multa já foi formalizada e seguiremos exigindo que a Vale adote todas as medidas de segurança, mitigação e reparação integral dos danos socioambientais”, disse o secretário.

Segundo o Governo de Minas, os órgãos estaduais cobraram mais agilidade na comunicação de eventuais ocorrências e reforçaram a importância de ações efetivas da mineradora para correção das falhas identificadas, mitigação de impactos e prevenção de novos episódios.

Medidas de reparação

Além disso, a suspensão de atividades nas duas minas envolvidas no caso foi estabelecida como medida preventiva imediata, com o objetivo de impedir qualquer novo eventual lançamento ou carreamento de materiais e sedimentos nas áreas afetadas, até que seja comprovada a eliminação dos riscos ambientais e a adoção de medidas de controle eficazes por parte da Vale.

No caso da Mina de Viga, a suspensão se aplica para todo o empreendimento. Já em relação à Mina de Fábrica, a suspensão é específica para atividades na cava 18 do empreendimento. 

Fiscalização constata falhas no sistema de drenagem

Segundo a Semad, a fiscalização constatou falhas no sistema de drenagem em ambas as minas. A situação foi agravada pelo elevado índice de chuvas na região Central de Minas. No caso da Mina da Fábrica, houve extravasamento de água com sedimentos, com volume estimado em 262 mil metros cúbicos, atingindo áreas internas da empresa CSN. O episódio também resultou em assoreamento de cursos d’água afluentes do Rio Maranhão, incluindo os córregos Ponciana e Água Santa.

Na fiscalização realizada na Mina de Viga, o Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) da Semad constatou escorregamento de talude natural na área de lavra, com lançamento e carreamento de sedimentos para o córrego Maria José e para o Rio Maranhão. A extensão completa dos impactos está sendo dimensionada pela Semad, a partir de análises técnicas no local.

A Vale informou que “vai se manifestar oportunamente perante as autoridades competentes”. 

* Com informações da Agência Minas

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