Relembre quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF
Banqueiro voltou a ficar na mira da Polícia Federal sobre possível esquema de fraudes financeiras

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso novamente nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A ação apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa.
Além de Vorcaro, a Polícia Federal cumpre outros três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Justiça também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos ligados ao grupo e preservar valores possivelmente associados às irregularidades.
Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso durante investigação concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal. No entanto, ao fim do mês ele foi solto.
De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões. Diante dos indícios, o Master foi liquidado pelo Banco Central.
Daniel Vorcaro
Nascido em 6 de outubro de 1983, em Belo Horizonte, Vorcaro é formado em Economia, com MBA em Business/Managerial Economics pelo Ibmec. Ele ganhou projeção nacional após o Banco Master firmar operações de grande porte com o governo do Distrito Federal por meio do Banco de Brasília (BRB).
O BRB adquiriu títulos de crédito emitidos pelo Banco Master - operações que estão no centro das investigações da Polícia Federal.
Vorcaro também é acionista da Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG. Ele detém 20,2% da SAF do clube por meio do fundo Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP). A origem dos recursos usados na operação é apurada por possível ligação com o PCC.
BRB quis comprar Master
Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões – valor que, segundo o banco, equivaleria a 75% do patrimônio consolidado do Master.
A negociação chamou a atenção de todo o mercado, da imprensa e do meio político, pois, já na época, a atuação do banco de Daniel Vorcaro causava desconfiança entre analistas do setor financeiro.
No início de setembro, o Banco Central (BC) rejeitou a compra do Master pelo BRB. Em novembro, foi decretada falência da instituição financeira.
Compliance Zero
A Operação Compliance Zero é fruto das investigações que a PF iniciou em 2024, para apurar e combater a emissão de títulos de créditos falsos.
As instituições investigadas são suspeitas de criar falsas operações de créditos, simulando empréstimos e outros valores a receber. Estas mesmas instituições negociavam estas carteiras de crédito com outros bancos.
Após o Banco Central aprovar a contabilidade, as instituições substituíam estes créditos fraudulentos e títulos de dívida por outros ativos, sem a avaliação técnica adequada. O Banco Master é o principal alvo da investigação instaurada a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
Em nota, o BRB afirmou que "sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando, regularmente, informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre todas as operações relacionadas às negociações de compra do Banco Master".
O que diz a defesa de Vorcaro?
Em nota à imprensa, a defesa de Daniel Vorcaro disse que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e colaborou com as investigações desde o início. Os advogados também negaram as acusações de intimidação atribuídas pela PF ao banqueiro.
"A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições", disseram os advogados.
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