Infestação do mosquito

Risco de dengue aumenta em BH, que já soma 1,8 mil casos e 4 mortes provocadas pela doença em 2026

LIRAa aponta índice de infestação por Aedes de 2,4% na capital; entenda o cálculo

Do HOJE EM DIA
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 05/11/2026 às 14:38.Atualizado em 05/11/2026 às 18:13.
 (Adão de Souza/PBH)
(Adão de Souza/PBH)

O risco de pessoas contraírem dengue é maior em Belo Horizonte neste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. É o que mostra o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) de 2026. O estudo identificou larvas do mosquito em 2,4% dos 53 mil imóveis vistoriados. O índice classifica a capital como área de "médio risco" para a ocorrência de arboviroses, como dengue, chikungunya e zika. No mesmo período do ano passado, o LIRAa classificava a capital como "área de baixo risco".

Neste ano, BH já confirmou mais de 1,8 mil casos da doença. Há ainda 793 notificações suspeitas que aguardam o resultado de exames laboratoriais. Quatro pessoas morreram após complicações provocadas pela enfermidade. O alerta aumenta ainda mais nesta época do ano, devido às altas temperaturas e previsão de chuvas cada vez mais intensas.

Entenda o LIRAa

O LIRAa segue parâmetros do Ministério da Saúde, que estabelece índice igual ou superior a 4%, como o risco alto; resultados entre 1% e 3,9% indicam risco médio; já índices abaixo de 1% representam baixo risco. Os dados apontam que 83% dos focos estão em ambientes domiciliares, o que, segundo a prefeitura, reforça a necessidade de cuidados e colaboração da população. 

Os criadouros predominantes encontrados nos domicílios foram: pratinhos de plantas (24,7%), inservíveis (23,2%), recipientes domésticos (17,7%) e barris e tambores (7,2%).

O LIRAa é realizado anualmente em todas as regionais da cidade e permite à Secretaria Municipal de Saúde intensificar as ações de combate ao Aedes aegypti, especialmente nas áreas com maior infestação larvária.

“Os resultados do LIRAa nos ajudam a direcionar as ações de prevenção para as áreas que mais precisam de atenção. Mas o combate ao Aedes aegypti também depende da colaboração da população e precisa ser frequente. Dedicar dez minutos por semana para eliminar possíveis criadouros é uma atitude simples que faz toda a diferença”, destacou a subsecretária de Promoção e Vigilância à Saúde, Thaysa Drummond.

LIRAa por regional e risco

  • Pampulha: 3,5% - médio
  • Venda Nova: 3,3% - médio
  • Leste: 3,2% - médio
  • Nordeste: 2,6% - médio
  • Barreiro: 2,4% - médio
  • Norte: 2,1% - médio
  • Centro-Sul (incluindo a Hipercentro): 1,6% -médio
  • Noroeste: 1,5% - médio
  • Oeste: 1,5% - médio
  • Belo Horizonte: 2,4% - médio

Riscos do acúmulo de água 

Segundo a PBH, ações de vigilância e combate às doenças transmitidas pelo mosquito são feitas durante todo o ano. Agentes de Combate a Endemias (ACE) visitam os imóveis, orientam sobre os riscos do acúmulo de água – que pode se tornar criadouro –, explicam como eliminar focos e, quando necessário, aplicam biolarvicidas. Em 2026, até o momento, foram realizadas mais de 3,4 milhões de vistorias.

Também são feitas ações com inseticida a Ultra Baixo Volume (UBV) para o combate aos mosquitos adultos, alcançando cerca de 9 mil imóveis em 2026. O município utiliza ainda drones para captar imagens e identificar possíveis focos, além de aplicar larvicida em locais de difícil acesso dos profissionais que atuam na prevenção.

Belo Horizonte conta ainda com mais de 1,8 mil ovitrampas, que são armadilhas que simulam o ambiente ideal para a reprodução do Aedes aegypti e contêm substâncias que atraem as fêmeas. Instaladas em pontos estratégicos das regionais, elas permitem o monitoramento da circulação do mosquito. Em 2026, foram realizadas cerca de 63 mil visitas para acompanhamento.

Mutirões de limpeza são também são realizados pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU)ano. Em 2026, foram realizados 239 mutirões de limpeza, com cerca de 374 toneladas de resíduos recolhidos em aproximadamente 49 mil imóveis. 

Outra ação em andamento é a soltura de Aedes aegypti com Wolbachia. Os mosquitos que carregam esse microrganismo têm capacidade reduzida de transmitir dengue, zika e chikungunya, o que ajuda a diminuir o risco dessas doenças. Vale destacar que esse método não envolve modificação genética. Desde 2020, foram soltos mais de 45 milhões de mosquitos com a bactéria Wolbachia.

Leia também:

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por