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Risco de novos deslizamentos impede volta de moradores ao Morro do Cristo, em Juiz de Fora

Laudo técnico detalha instabilidade em rochas e solo após chuvas históricas; contratação do anteprojeto para as obras de contenção e mitigação será realizada nesta segunda-feira (27), diz Prefeitura

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 27/04/2026 às 13:29.Atualizado em 27/04/2026 às 16:10.
Morro do Cristo, no Paineiras, visto a partir da rua Halfeld (Ana Paula Lima/ Hoje em Dia)
Morro do Cristo, no Paineiras, visto a partir da rua Halfeld (Ana Paula Lima/ Hoje em Dia)

Novo laudo técnico da Defesa Civil de Juiz de Fora, na Zona da Mata, confirmou que parte da área do Morro do Cristo permanece sob alto risco geológico, inviabilizando o retorno de moradores aos imóveis na base da encosta. O estudo, baseado em análises técnicas realizadas pelo geólogo Luiz Wallace Costa, aponta que o terreno ainda apresenta instabilidade severa em blocos rochosos e camadas de solo, consequências do volume extremo de chuvas que atingiu a cidade em fevereiro deste ano. Um anteprojeto para as obras de contenção e mitigação na encosta deve ser contratado nesta segunda-feira (27). 

"Devido ao risco geológico muito alto remanescente, não é possível realizar a desinterdição dos imóveis localizados no sopé do Morro do Cristo", diz trecho do relatório.

A análise técnica foi concluída após quase um mês de monitoramento “in loco”, que incluiu vistorias com descidas por cordas ao longo das encostas. O relatório destaca que a morfologia do Morro do Cristo sofreu alterações críticas. 

Conforme o laudo, o acúmulo histórico de água saturou a capa de solo, provocando o deslocamento de materiais que agora se encontram em “equilíbrio precário” sobre as superfícies rochosas. 

Frentes principais de perigo 

O mapeamento geológico detalhou três frentes principais de perigo. Na parte de cima das ruas Constantino Paleta e Marechal Deodoro, os técnicos identificaram o surgimento de "ninhos" de blocos rochosos de grande volume. De acordo com o estudo, estes fragmentos, que eram sustentados pelo solo, foram expostos e deslocados, encontrando-se em posição “desfavorável à estabilidade”. Parte do material ficou retida, mas novos rolamentos não são descartados.

Já na área situada logo abaixo do Mirante do Cristo, na região da rua Halfeld, o cenário é de detritos acumulados em superfícies menos inclinadas. Segundo o laudo, embora muito material tenha atingido o sopé do talude durante o ápice das chuvas, depósitos remanescentes ainda apresentam risco iminente de movimentação. 

O ponto mais alarmante, entretanto, está nas proximidades da rua do Carmelo, onde o geólogo identificou uma grande heterogeneidade de materiais e blocos volumosos que pararam no meio da encosta após os deslizamentos em fevereiro. O estudo indica que muitos desses blocos estão parcialmente descalçados em áreas de declividade acentuada, representando um risco muito alto de colisão direta com edificações vizinhas caso ocorra um novo movimento.

O que diz a Prefeitura?

Diante dos dados, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que a contratação do anteprojeto para as obras de contenção e mitigação no Morro do Cristo será realizada ainda nesta segunda-feira (27). O objetivo é acelerar o retorno dos moradores às residências no menor prazo possível. Detalhes não foram informados.

Desde a tragédia, mais de 8,8 mil pessoas ficam desalojadas e desabrigadas. Questionada, a Prefeitura revelou que não é possível estimar o número atual de pessoas ainda fora de casa. 

Ao todo, 114 famílias estão acolhidas em hotéis, e 63 famílias foram encaminhadas para apartamentos. As demais, segundo a prefeitura, seguem em diferentes arranjos de acolhimento, como casas de familiares e redes de apoio. 

“A Prefeitura mantém o acompanhamento contínuo dessas famílias, garantindo suporte social e habitacional enquanto perdurar a necessidade”, disse o Executivo Municipal em nota. 

A Prefeitura segue recebendo contribuições. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (32) 3690-7331, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH). Neste momento, a maior necessidade é por roupa de cama.

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