Lixo eleitoral

Santinhos deixados nas ruas podem agravar alagamentos em BH, alerta Prefeitura

Material espalhado nos locais de votação pode ser levado pela chuva para bueiros e córregos; equipes fazem pente-fino na cidade enquanto capital entra no período chuvoso

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 05/10/2026 às 12:14.Atualizado em 05/10/2026 às 12:30.
Após a eleição, PBH faz limpa a cidade para evitar que lixo nas ruas vá parar em bueiros (Ana Luísa Ribeiro/Hoje em Dia)
Após a eleição, PBH faz limpa a cidade para evitar que lixo nas ruas vá parar em bueiros (Ana Luísa Ribeiro/Hoje em Dia)

Os santinhos e outros resíduos deixados nas ruas de Belo Horizonte após a eleição deste domingo (4) podem ser arrastados pela chuva para bueiros e córregos, dificultar o escoamento da água e contribuir para alagamentos. O alerta foi feito pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) nesta segunda-feira (5), enquanto equipes realizam um “pente-fino” nos locais de votação para retirar o material espalhado pela cidade.

A limpeza ocorre justamente no início do período chuvoso de 2026/2027. Nesta segunda, representantes de diferentes órgãos municipais se reuniram para apresentar as ações preventivas já realizadas e definir a atuação para os próximos meses. A estrutura contará com equipes de plantão 24 horas por dia.

O superintendente da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), Breno Serôa, explicou que a retirada dos resíduos relacionados à eleição começou ainda no fim de semana e foi intensificada nesta segunda-feira.

“Estamos agora fazendo um pente-fino, porque, desde quando foi proibida a veiculação no sábado, a gente já começou os recolhimentos. Agora estamos fazendo um pente-fino nos locais de votação onde há essa desordem. A gente espera que, nas próximas horas, a cidade esteja toda organizada com relação a esses locais”, afirmou.

Segundo o superintendente, o problema vai além da sujeira nas ruas. Durante as chuvas, o material pode ser levado para o sistema de drenagem e dificultar a passagem da água.

“Todo esse lixo que está disposto na rua no momento da chuva vai para o bueiro, para o leito do córrego. Então, ele sempre contribui. Claramente, o lixo que está depositado na rua, com a chuva, é carreado para o sistema de drenagem, impede o escoamento rápido e causa transtorno na cidade”, explicou.

A SLU também reforçou a importância da participação dos moradores durante o período chuvoso. Os resíduos devem ser acondicionados corretamente e colocados para recolhimento nos horários previstos. A PBH afirma ainda que intensificou a fiscalização contra o descarte clandestino.

Mais de 4 mil toneladas de resíduos retiradas de córregos

A preparação para o período chuvoso inclui a limpeza dos cursos d’água da capital. Entre janeiro e o início de setembro deste ano, a SLU retirou 4,3 mil toneladas de resíduos dos córregos de Belo Horizonte, segundo balanço apresentado pela prefeitura.

Entre os materiais encontrados estão itens descartados irregularmente nas margens e nos leitos, além de vegetação retirada durante serviços de capina e roçada.

Antes do período chuvoso, uma operação específica no Ribeirão Arrudas retirou outras 42,7 toneladas de resíduos. Entre os materiais recolhidos estavam móveis, eletrodomésticos sem uso, garrafas PET, lixo orgânico, restos de poda, entulho de obras e até animais mortos.

Na drenagem urbana, entre janeiro e agosto, foram limpas 87.736 bocas de lobo em todas as regionais. No mesmo período, a prefeitura afirma ter retirado 1,4 mil toneladas de resíduos das redes de drenagem, desobstruído 54,6 quilômetros de tubulações e substituído 1.430 grelhas danificadas.

BH entra em plantão 24 horas

A reunião desta segunda-feira marcou o início das atividades do Grupo Gestor de Riscos, Desastres e Eventos Climáticos Extremos (GGRDECE) para o período chuvoso, que vai de outubro a março.

Segundo Eucione Menezes, subsecretário de Proteção e Defesa Civil, o grupo reúne diferentes áreas da prefeitura para atuar na prevenção, mitigação e resposta a eventuais desastres.

As reuniões ordinárias serão realizadas às segundas-feiras, mas encontros extraordinários poderão ser convocados diante de eventos climáticos mais graves.

O monitoramento é realizado no Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), onde representantes de 20 órgãos públicos acompanham a cidade por meio de aproximadamente 4,5 mil câmeras. Entre as situações monitoradas estão níveis de córregos, quedas de árvores e alagamentos.

A mobilidade também terá um esquema específico. Mais de 75 agentes da BHTrans e da Superintendência de Mobilidade (Sumob) estão preparados para interditar vias e realizar desvios quando necessário. A estrutura conta ainda com mais de 350 equipamentos de sinalização móvel para pontos sujeitos a alagamentos.

Obras contra alagamentos

A PBH também apresentou o andamento de obras de macrodrenagem. Um dos principais projetos envolve os reservatórios subterrâneos dos córregos Vilarinho e Nado, em Venda Nova. Cada estrutura terá capacidade para armazenar aproximadamente 105 milhões de litros de água, com investimento total de R$ 263 milhões.

Outra intervenção é a primeira etapa das obras do Ribeirão Pampulha, na Praça das Águas, na região Nordeste. O projeto prevê estrutura com capacidade para armazenar aproximadamente 27 milhões de litros, além de intervenções viárias e no interceptor de esgoto. O investimento previsto é de cerca de R$ 78 milhões.

Questionado sobre obras de macrodrenagem que foram paralisadas, o superintendente da Sudecap, Maurício Brandão, afirmou que a prefeitura trabalha para retomá-las. Segundo ele, a Praça das Águas já opera parcialmente e a retomada da intervenção teve ordem de serviço emitida. O reservatório Vilarinho também está em processo para retomada. 

“Nosso objetivo é retomar todas essas obras que foram paralisadas, e é isso que estamos fazendo”, afirmou. Segundo Brandão, a previsão é de que as intervenções citadas sejam retomadas até o próximo ano.

Menezes afirmou ainda que, mesmo antes da conclusão, algumas estruturas já conseguem reter parte da água das chuvas. Segundo ele, as bacias existentes na cidade têm capacidade conjunta para reter cerca de 1 milhão e 300 milhões de litros de água.

Áreas de risco são monitoradas

Nas áreas de risco geológico, a prefeitura informou que a Urbel realizou 1.149 vistorias em 2026 e concluiu nove intervenções para redução de riscos em diferentes regiões. Outras 116 obras estão em andamento.

A atuação inclui a Operação Olha a Chuva, feita em parceria com voluntários dos Núcleos de Defesa Civil (Nudec) e Núcleos de Alerta de Chuvas (NAC). São distribuídos materiais educativos e realizados trabalhos de orientação e mobilização nas comunidades.

Famílias que vivem em locais classificados como de risco alto ou muito alto e que não possam permanecer com segurança no imóvel podem ser retiradas preventivamente. Para o acolhimento emergencial, a prefeitura informou que serão disponibilizadas inicialmente cinco unidades, com segurança, monitores, alimentação e itens de higiene.

Também está prevista a distribuição de colchões, cobertores, roupas de cama, lonas e alimentos. As famílias poderão ainda ser incluídas ou atualizar os dados no Cadastro Único para acesso a benefícios sociais.

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