O sargento da Polícia Militar, de 37 anos, suspeito de matar a esposa, uma capitã da PM, de 42, chegou a atuar na segurança da residência oficial do ex-governardor de Minas, Romeu Zema (Novo), hoje pré-candidato à Presidência da República. É o que informou nesta terça-feira (21) a Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra). O homem foi preso em flagrante nessa segunda (20).
O suspeito do crime chegou a atuar como diretor jurídico da Aspra, mas não faz mais parte da entidade desde junho 2025. "Os fatos divulgados dizem respeito à esfera pessoal e familiar dos envolvidos, não possuindo qualquer relação com a atuação institucional da Aspra, tampouco com atividades desempenhadas em nome desta ou de qualquer outra instituição ou entidade. A associação reafirma seu absoluto repúdio a toda e qualquer forma de violência contra a mulher", informou a Aspra.
Antes de junho de 2025, o militar teve passagens pela polícia, com histórico inclusive de violência doméstica. São duas queixas contra ele, prestadas por uma ex-companheira, em 2014 e em 2016, período em que ainda não integrava os quadros da PM, além de uma autuação por embriaguez ao volante, em 2023.
Além disso, depoimentos da mãe e da irmã da capitã apontam que a convivência do casal era marcada por um relacionamento abusivo ao longo de oito anos de idas e vindas.
Estado diz que sargento não fez segurança de Zema mas pode ter cumprido escala em residência oficial
O Governo de Minas soltou uma nota para se pronunciar sobre o caso. Segundo o Estado, o militar jamais integrou a equipe de segurança pessoal do chefe do Poder Executivo, mas pode ter cumprido escala em residência oficial. Veja nota na íntegra:
O Governo de Minas informa que o sargento envolvido na ocorrência desta terça-feira, em Belo Horizonte, nunca atuou no Gabinete Militar do Governador (GMG), órgão responsável pelo planejamento e pela execução das atividades de escolta e proteção física do governador, ex-governadores e demais autoridades. Dessa forma, o militar jamais integrou a equipe de segurança pessoal do chefe do Poder Executivo, não possuindo qualquer vínculo funcional com o governador nem tendo sido empregado em sua proteção.
Cabe esclarecer que o sargento serviu no Batalhão de Polícia de Guardas (BPG) da Polícia Militar de Minas Gerais, entre 2015 e 2023, unidade que, entre suas atribuições, realiza o policiamento ostensivo de sedes de órgãos públicos e de residências oficiais. Em razão da rotatividade das escalas de serviço, o militar pode ter atuado em postos dessa natureza, o que não se confunde, em nenhuma hipótese, com integrar o Gabinete Militar ou exercer a segurança pessoal de autoridades.
É possível que essa circunstância tenha dado origem à interpretação equivocada de que o sargento fazia parte da segurança do governador, o que não corresponde à realidade.
Militar é investigado por feminicídio
O suspeito foi preso em flagrante nessa segunda-feira (20) após levar a mulher já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste de BH. Ele é investigado por feminicídio.
“Neste momento, podemos afirmar que o autor foi preso em flagrante por feminicídio. Há uma lesão aparente muito contundente na face da vítima, e fica muito claro a gravidade daquele ferimento", explicou o delegado Saulo Castro, porta-voz da Polícia Civil (PC).
O que diz o suspeito
O suspeito afirmou em depoimento que a mulher sofreu uma queda de escada por volta do meio-dia, após o casal consumir bebidas alcoólicas e ecstasy e "praticar atos sexuais consensuais com agressões físicas".
Advogado do suspeito, Gustavo Nepomuceno declarou que acompanha o caso. "Para melhor entendimento, vamos aguardar a perícia feita, o deslinde das investigações, para poder dar uma resposta mais contundente e ver o que vai dar o desdobramento da investigação”, declarou.
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