Sargento da PM preso suspeito de feminicídio em BH tem histórico de violência doméstica
Ocorrências foram registradas por uma ex-companheira do militar; investigado também possui autuação por embriaguez ao volante

O sargento da Polícia Militar (PM) preso em flagrante suspeito de matar a esposa, uma capitã da corporação de 42 anos, possui histórico de violência doméstica. O militar, de 37 anos, tem registros de duas ocorrências feitas por uma ex-companheira, em 2014 e em 2016, período em que ainda não integrava os quadros da PM, além de uma autuação por embriaguez ao volante, em 2023.
Detalhes do caso foram divulgados pelas forças de segurança nesta terça-feira (21). Além do histórico do investigado, depoimentos da mãe e da irmã da capitã apontam que a convivência do casal era marcada por um relacionamento abusivo ao longo de oito anos de idas e vindas.
Militar é investigado por feminicídio
O suspeito foi preso em flagrante nesta segunda-feira (20) após levar a mulher já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste de Belo Horizonte. Ele é investigado por feminicídio e pode cumprir pena de 20 a 40 anos de prisão caso seja condenado.
“Neste momento, podemos afirmar que o autor foi preso em flagrante por feminicídio. Há uma lesão aparente muito contundente na face da vítima, e fica muito claro a gravidade daquele ferimento", explicou o delegado Saulo Castro, porta-voz da Polícia Civil (PCMG).
Segundo ele, os laudos necroscópicos serão fundamentais para a responsabilização do autor.
O que diz o suspeito
O suspeito afirmou em depoimento que a mulher sofreu uma queda de escada por volta do meio-dia, após o casal consumir bebidas alcoólicas e ecstasy e praticar atos sexuais consensuais com agressões físicas. Segundo a versão do homem, ambos foram dormir às 15h e ele só buscou socorro médico às 21h, ao notar que a esposa não respondia aos estímulos.
Durante o atendimento médico, o sargento tentou se desfazer de entorpecentes no banheiro da unidade hospitalar, gerando também a autuação em flagrante por tráfico de drogas.
“Durante esse contato com um tenente da PM, o sargento pediu para ir ao banheiro, e nesse contexto, descartou um material suspeito na lixeira de um banheiro do hospital”, conta o capitão. “O tenente fez uma verificação e localizou 18 comprimidos de ecstasy. A partir desse momento, o caso se enquadra como um flagrante de tráfico de drogas.”
Como estava o apartamento
No apartamento do casal, no bairro Palmares, os policiais apreenderam um cabo de madeira quebrado na lixeira do condomínio, roupas de cama na máquina de lavar e o celular do militar. O veículo do suspeito também foi recolhido para perícia.
O advogado do suspeito, Gustavo Nepomuceno, declarou que acompanha o caso: “A defesa teve contato com ele, estamos acompanhando o início das investigações, está muito precoce ainda. Para melhor entendimento, aguardar a perícia feita, o deslinde das investigações, para poder dar uma resposta mais contundente e ver o que vai dar o desdobramento da investigação”, declarou. A conclusão do inquérito policial está prevista para ocorrer em até dez dias.
*Estagiária, sob supervisão de Gledson Leão
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