Sete universidades federais mineiras perdem posições em ranking das melhores do mundo
Levantamento internacional aponta queda de instituições de Minas em lista global; universidades citam cenário de maior concorrência e restrições ao financiamento da pesquisa

Sete universidades federais de Minas Gerais perderam posições no ranking Global 2000, elaborado pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR), que reúne as melhores instituições de ensino superior do planeta. De acordo com o levantamento, a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) foi a que mais caiu no ranking, perdendo 108 posições.
Enquanto em 2025, a UFTM ocupava a 1.836ª posição, agora está na 1.944º posição. Outra com destaque negativo é a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que desceu 94 posições (de 1.385ª para 1.479ª). Já a Universidade Federal de Viçosa (UFV) saiu de 984ª para 1015ª - o que equivale a 31 postos abaixo.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi a que menos perdeu posições: 11 no total. A instituição caiu da 497ª para a 508ª posição mundial. Logo abaixo da UFMG está a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com 12 postos perdidos (de 1.090ª para 1102ª).
De acordo com a metodologia do CWUR, 40% da pontuação total são atribuídos aos indicadores de pesquisa, que incluem produção científica, publicações em periódicos de alto impacto, influência acadêmica e citações de artigos. Outros critérios avaliados são educação (25%), empregabilidade dos egressos (25%) e qualidade do corpo docente (10%).
A edição de 2026 foi divulgada nesta segunda-feira (1) e mostrou que a queda não se restringe ao Estado. 45 das 52 universidades brasileiras presentes na lista recuaram na classificação internacional.
Veja a classificação das universidades federais mineiras em comparação com o ano passado:
- UFMG (de 497ª para 508ª),
- UFV (de 984ª para 1015ª),
- UFJF (de 1.090ª para 1102ª),
- UFLA (de 1.284ª para 1302ª),
- UFSJ (1.385ª para 1.479ª),
- UFTM (1.836ª para 1.944ª)
- UFOP (1.911ª para 1.974ª).
Universidades destacam contexto internacional
Em nota ao Hoje em Dia, a UFJF afirmou que o resultado deve ser interpretado como estabilidade. A universidade destacou que esteve na 1.090ª posição em um universo superior a 20 mil instituições avaliadas e ressaltou que continua entre as 5,1% melhores universidades do mundo. A instituição também atribuiu o cenário ao crescimento da competitividade internacional, especialmente com o fortalecimento de universidades asiáticas.
A UFSJ também destacou o contexto global. Em posicionamento enviado à reportagem, a universidade afirmou que permanece entre as 7% melhores universidades do mundo e apontou que a maior parte das instituições brasileiras perdeu posições diante do avanço de universidades de países que realizam investimentos contínuos e robustos em educação superior. A instituição ressaltou ainda os impactos das restrições orçamentárias enfrentadas pelas universidades federais especialmente no período de 2016 a 2022.
Já a UFMG informou que não acompanha especificamente o ranking CWUR e, por esse motivo, não iria se manifestar sobre os resultados divulgados.
A UFOP informou que recebeu o resultado com apreensão. Nos itens relativos à pesquisa e produtividade, a Instituição vem ampliando a captação de recursos externos, consolidando redes internacionais de pesquisa e investindo na infraestrutura laboratorial, mas avalia que ainda são necessários investimentos mais robustos em ciência e tecnologia. A UFOP explicou ainda que o desempenho conjunto das instituições brasileiras reflete o crescimento de universidades de outros países, que têm avançado sistematicamente nos investimentos em ciência.
A reportagem procurou ainda a UFV, a UFLA, a UFTM e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
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