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Tapetes de serragem colorem ruas de Ouro Preto no domingo de Páscoa; veja fotos

Para a montagem deste ano, foram disponibilizadas mais de 15 toneladas de serragem

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 05/04/2026 às 10:43.Atualizado em 05/04/2026 às 11:17.
 (Peterson Bruschi/ PMOP)
(Peterson Bruschi/ PMOP)

Moradores e visitantes de Ouro Preto iniciaram, na noite de sábado (4), a tradicional confecção dos tapetes devocionais que ornamentam as ruas para a Procissão da Ressurreição, realizada neste domingo (5).

A prática, que se estende pela madrugada de domingo de Páscoa, transforma o calçamento de pedras em um percurso de cores e símbolos religiosos, consolidando-se como um dos momentos centrais da programação da Semana Santa no município.

Para a montagem deste ano, foram disponibilizadas mais de 15 toneladas de serragem. O material, que serve de base para os desenhos, é proveniente de Ouro Preto e de cidades vizinhas, como Catas Altas da Noruega, Ponte Nova e Ubá. Além da serragem crua e tingida, os voluntários utilizam farinha de trigo, pó de café, cal, flores e ramos de ciprestes para compor as imagens.

A prática de ornamentar as vias públicas em Ouro Preto remonta ao ano de 1733. O costume teve origem no "Triunfo Eucarístico", celebração que marcou a reinauguração da Matriz do Pilar – hoje Basílica – e o traslado do Santíssimo Sacramento a partir da Igreja do Rosário. Desde então, o rito foi incorporado ao patrimônio imaterial da cidade, mantendo viva a estética barroca e a mobilização comunitária.

O pároco da Paróquia Nossa Senhora do Pilar, padre José Carlos dos Santos, observa que o trabalho exige semanas de preparação prévia, incluindo o tingimento da serragem e a organização dos grupos. "Na madrugada, o silêncio da cidade histórica é interrompido pelo som das vassouras e pelas vozes de quem trabalha na confecção. É um trabalho marcado pelo desapego, já que os tapetes são desfeitos pela passagem da procissão”.

A execução dos desenhos não se restringe a especialistas, já que famílias inteiras e grupos de amigos ocupam seus postos ao longo do trajeto. Os temas variam entre figuras geométricas e ícones da fé católica, como o cálice e a pomba da paz.

Para os ouro-pretanos, a atividade reforça laços geracionais. É o caso da moradora Aline Monteiro, que participa da tradição desde a infância. "Minha família sempre teve uma relação próxima com a paróquia. Minhas tias-avós passavam as noites do Sábado Santo confeccionando os tapetes na Rua São José. Fazer os tapetes é manter viva essa história",.

Os tapetes foram finalizados ao amanhecer de domingo, pouco antes da saída da Procissão da Ressurreição. O cortejo percorre o itinerário entre as principais igrejas do centro histórico, incluindo a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no bairro Antônio Dias. Após a passagem dos fiéis, o material é recolhido pelas equipes de limpeza, encerrando o ciclo da chamada arte efêmera.

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