
O número de jabutis recebidos pelos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) em Minas levou o Instituto Estadual de Florestas (IEF) a emitir, nesta segunda-feira (25), um alerta para os riscos da domesticação de animais silvestres.
A preocupação é maior com o Jabuti-piranga, uma das espécies mais comercializadas e traficadas do Brasil. Apesar da aparência tranquila e da fama de fácil manejo, especialistas destacam que o animal exige cuidados específicos e de longo prazo, além de representar desafios para a conservação da fauna silvestre, saúde pública e bem-estar animal.
"Hoje temos cerca de 300 jabutis sob os cuidados dos centros localizados em Belo Horizonte, Montes Claros, Patos de Minas, Juiz de Fora e Divinópolis. Somente em Belo Horizonte existem cerca de cem Jabutis-piranga, enquanto em Divinópolis há pelo menos 135 animais recebidos pelo Cetras", afirma a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart.
Um estudo realizado no Cetras do IEF em Belo Horizonte, conduzido pela pesquisadora da UFMG Nathália Rodrigues, identificou um cenário preocupante envolvendo a saúde desses animais.
A pesquisa apontou que 72% dos jabutis analisados apresentavam contaminação por bactérias do tipo estafilococos. Entre as amostras, 56% demonstraram resistência a pelo menos um tipo de antimicrobiano, como penicilina e tetraciclina.
Segundo os especialistas, a resistência bacteriana pode estar associada à contaminação ambiental e representa um risco tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde humana.
Jabutis podem viver mais de 80 anos
O IEF - que atua no acolhimento, manejo, reabilitação e destinação desses animais por meio da rede de Cetras - alerta que, diferentemente de cães e gatos, os jabutis não passaram por processos de domesticação. Assim que retirados da natureza, os animais podem ter os comportamentos naturais comprometidos.
Outro ponto de atenção é a longevidade da espécie. Os jabutis podem viver mais de 80 anos, exigindo planejamento, estrutura adequada e acompanhamento veterinário especializado durante toda a vida.
A criação legal de jabutis deve ocorrer exclusivamente a partir de criadouros autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo IEF. Além disso, os animais precisam de alimentação balanceada, exposição ao sol, ambiente adequado, espaço suficiente e controle de umidade.
*Com informações da Agência Minas
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