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Tem jabuti em casa? Conheça os riscos da domesticação do animal silvestre

Alerta é reforçado após aumento do número de animais nos centros de triagem

Do HOJE EM DIA*
Publicado em 25/05/2026 às 16:16.Atualizado em 25/05/2026 às 17:16.
Os jabutis podem viver mais de 80 anos, exigindo planejamento, estrutura adequada e acompanhamento veterinário especializado durante toda a vida (Arturo Añez / Pexels)
Os jabutis podem viver mais de 80 anos, exigindo planejamento, estrutura adequada e acompanhamento veterinário especializado durante toda a vida (Arturo Añez / Pexels)

O número de jabutis recebidos pelos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) em Minas levou o Instituto Estadual de Florestas (IEF) a emitir, nesta segunda-feira (25), um alerta para os riscos da domesticação de animais  silvestres. 

A preocupação é maior com o Jabuti-piranga, uma das espécies mais comercializadas e traficadas do Brasil. Apesar da aparência tranquila e da fama de fácil manejo, especialistas destacam que o animal exige cuidados específicos e de longo prazo, além de representar desafios para a conservação da fauna silvestre, saúde pública e bem-estar animal.

"Hoje temos cerca de 300 jabutis sob os cuidados dos centros localizados em Belo Horizonte, Montes Claros, Patos de Minas, Juiz de Fora e Divinópolis. Somente em Belo Horizonte existem cerca de cem Jabutis-piranga, enquanto em Divinópolis há pelo menos 135 animais recebidos pelo Cetras", afirma a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart.

Um estudo realizado no Cetras do IEF em Belo Horizonte, conduzido pela pesquisadora da UFMG Nathália Rodrigues, identificou um cenário preocupante envolvendo a saúde desses animais.

A pesquisa apontou que 72% dos jabutis analisados apresentavam contaminação por bactérias do tipo estafilococos. Entre as amostras, 56% demonstraram resistência a pelo menos um tipo de antimicrobiano, como penicilina e tetraciclina.

Segundo os especialistas, a resistência bacteriana pode estar associada à contaminação ambiental e representa um risco tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde humana.

Jabutis podem viver mais de 80 anos

O IEF - que atua no acolhimento, manejo, reabilitação e destinação desses animais por meio da rede de Cetras - alerta que, diferentemente de cães e gatos, os jabutis não passaram por processos de domesticação. Assim que retirados da natureza, os animais podem ter os comportamentos naturais comprometidos. 

Outro ponto de atenção é a longevidade da espécie. Os jabutis podem viver mais de 80 anos, exigindo planejamento, estrutura adequada e acompanhamento veterinário especializado durante toda a vida.

A criação legal de jabutis deve ocorrer exclusivamente a partir de criadouros autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo IEF. Além disso, os animais precisam de alimentação balanceada, exposição ao sol, ambiente adequado, espaço suficiente e controle de umidade.

*Com informações da Agência Minas

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