Testemunha do caso Bruno é recapturada em Guanhães

Ana Clara Otoni, Jefferson Delbem e Gabi Santos
Publicado em 18/07/2012 às 09:11.Atualizado em 21/11/2021 às 23:39.

O homem que é testemunha do caso Bruno e que havia fugido da cadeia foi recapturado nesta quarta-feira (18) em São João Evangelista, no Vale do Rio Doce, de acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), na MG-120. Ele fugiu nessa terça-feira (17) do Centro de Remanejamento de Presos São Cristóvão (Ceresp). Jailson Alves Oliveira, de 42 anos, era ex-companheiro de cela do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e teria ouvido o detento dizer que o corpo da modelo e ex-amante do golerio Bruno foi queimado e jogado aos peixes.

Conforme a polícia, militares da 8ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito, o homem forneceu nome falso ao ser abordado em uma blitz montada na rodovia estadual. Os policiais perceberam que ele estava bastante nervoso e acabaram descobrindo a fraude. Desmascarado, o homem acabou confessando que estava foragido e acabou sendo preso em flagrante e conduzido para a delegacia de Guanhães, na mesma região.

O homem estava perto de receber o benefício do regime semiaberto depois de ter cumprido 1/3 da pena a qual foi condenado pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte). Antes de o detento ser recuperado, o advogado dele, Ângelo Carbone, acreditava que Jaílson havia sido vítima de queima de arquivo, quando a pessoa é morta por ter informações que possam comprometer suspeitos. "Ele tinha cumprido 10 anos da pena estava perto de sair para o semiaberto por sempre ter sido um preso com bom comportamento, ele não tinha porque fugir. Para mim, isso foi queima de arquivo e o caso é muito sério", contou. Carbone disse que vai enviar o caso ao Ministério Público Estadual (MPE) para que a fuga de Jailson seja apurada. O julgamento do ex-goleiro Bruno Fernandes pode estar perto de ser marcado e, por isso, o desaparecimento da testemunha torna-se ainda mais misteriosa.

"A mulher dele estava desesperada por causa das denúncias de morte que ele vinha recebendo desde que fez as denúncias. Ela era perseguida e ameaçada também", contou Carbone. A mulher dele só ficou sabendo do desaparecimento do marido quando policiais foram até a casa dela procurar o homem. "Ninguém me comunicou da fuga dele, fiquei sabendo por acaso. Tudo está muito estranho", disse o advogado de Jailson. Segundo ele, o cliente já teria emprego definido, além de residência fixa, e não teria razões para ter escapado da prisão.

Outras denúncias importantes foram feitas pelo detento que dividiu cela com Bola na penitenciária Nelson Hungria, onde o ex-policial está preso há dois anos pelo assassinato e ocultação da modelo Eliza Samudio. Uma delas foi a de que Bola estaria planejando matar várias pessoas envolvidas na investigação da morte e no desaparecimento da ex-amante do goleiro Bruno. O crime seria executado por traficantes do Rio de Janeiro, conforme a denúncia de Jaílson.

Uma das pessoas que estaria na lista de Bola seria a juíza Marixa e o delegado Edson Moreira. Bola teria confessado, ao detento, que matou Eliza. Para esconder o cadáver, ele teria queimado o corpo e jogado as cinzas na lagoa do Nado, no bairro Planalto.

De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o detento fugiu na parte da manhã dessa terça. A fuga dele será investigada pela secretaria, por meio da Superintendência Prisional (Suapi), que abriu um procedimento interno para apurar o caso.

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