Trabalhador chamado de ‘gordinho’ pelo chefe durante reuniões será indenizado em Minas
Testemunhas confirmaram que auxiliar de produção de indústria química era alvo de comentários ofensivos sobre o peso na frente dos colegas

Um auxiliar de produção de uma indústria química de Sete Lagoas, na região Central de Minas, será indenizado em R$ 2,5 mil após ser alvo de humilhações relacionadas ao peso durante o trabalho. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), o trabalhador era chamado de “gordinho” pelo próprio chefe, inclusive durante reuniões com outros funcionários.
A empresa negou as acusações, mas duas testemunhas confirmaram os episódios relatados pelo trabalhador. Elas disseram que os comentários sobre o peso ocorriam na presença de colegas e que as falas ofensivas partiam do superior hierárquico.
Uma das testemunhas relatou que havia “ridicularizações relacionadas ao seu peso” em diversas ocasiões. A outra também confirmou que o trabalhador era alvo de comentários ofensivos feitos pelo chefe.
A juíza Rafaela Campos Alves, da 2ª Vara do Trabalho de Sete Lagoas, considerou que os depoimentos comprovaram a repetição das humilhações. Para a magistrada, as situações ocorriam durante reuniões e em outros momentos da rotina de trabalho, o que caracterizou assédio moral.
Na decisão, a juíza também afirmou que a falta de reclamações formais por parte do trabalhador não impede o reconhecimento do assédio. Segundo ela, pessoas submetidas a esse tipo de situação podem deixar de denunciar por medo de sofrer consequências no emprego.
A empresa foi condenada a pagar R$ 2,5 mil de indenização. O valor levou em conta, entre outros fatores, os transtornos relatados pelo trabalhador e a gravidade da situação reconhecida no processo.
A decisão foi mantida pela Sexta Turma do TRT-MG. O tribunal informou que os recursos apresentados pelas partes não seguiram para análise no Tribunal Superior do Trabalho.
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