Risco de contaminação

Trabalhadores denunciam presença de bactéria na água da Maternidade Odete Valadares, em BH

Laudo da própria Fhemig identificou presença de Pseudomonas aeruginosa em setores críticos da unidade, como bloco cirúrgico, lactário e áreas neonatais

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 19/05/2026 às 10:07.Atualizado em 19/05/2026 às 10:31.
Memorando interno da Fhemig apontou presença de bactérias em setores críticos da Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte (Valéria Marques / Hoje em Dia)
Memorando interno da Fhemig apontou presença de bactérias em setores críticos da Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte (Valéria Marques / Hoje em Dia)

Trabalhadores da Maternidade Odete Valadares, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, denunciam o risco de contaminação da água e a presença de bactérias na unidade. Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), a análise foi feita pela própria Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) em 14 de abril e divulgada para os gestores da unidade em 6 de maio.

Um memorando interno da Fhemig apontou contaminação microbiológica em setores considerados críticos da maternidade, incluindo o bloco cirúrgico, o lactário, o bloco obstétrico e as áreas neonatais. O caso levou o Sind-Saúde/MG a cobrar uma investigação urgente sobre possíveis agravamentos de saúde, infecções e óbitos relacionados à situação.

O documento aponta que análises laboratoriais identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa e níveis elevados de bactérias heterotróficas em diferentes pontos da unidade. O memorando cita que os resultados estavam em desacordo com os limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde e apontavam potencial risco de contaminação.

Segundo o relatório técnico da Fhemig, houve detecção da bactéria em locais como o bloco cirúrgico, o lactário, o setor de pasteurização, o bloco obstétrico, a Central de Material e Esterilização (CME), o Serviço de Nutrição e Dietética (SND) e nas pias de lavagem de mãos da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (UCIM). Em alguns setores, as concentrações ultrapassaram 2 mil UFC por 100 ml de água.

O documento também indica que diversos setores apresentaram contagens superiores a 57 mil UFC/mL de bactérias heterotróficas. O índice é mais de 100 vezes acima do valor operacional de referência para investigação. A própria Fhemig reconhece no memorando que a bactéria pode representar risco potencial para indivíduos imunocomprometidos devido à sua característica oportunista e à capacidade de desenvolver multirresistência antimicrobiana.

Diante da gravidade do caso, o Sind-Saúde/MG enviou ofícios à Vigilância Sanitária municipal e estadual, ao Ministério Público, à Secretaria de Estado de Saúde e à direção da maternidade cobrando providências imediatas. O sindicato pediu acesso aos laudos completos, informações sobre as medidas adotadas e apuração sobre possíveis infecções e agravamentos clínicos.

A diretora do Sind-Saúde/MG, Neuza Freitas, afirmou que a entidade foi procurada por trabalhadores assustados com a situação e questionou a falta de comunicação oficial por parte da direção da unidade. Ela classificou o caso como extremamente grave por envolver setores sensíveis da maternidade, que atende recém-nascidos, gestantes e pacientes de alta complexidade.

O que diz a Fhemig

Em nota, a Fhemig afirmou que segue rígidos protocolos sanitários e informou que a água consumida por pacientes e servidores é mineral. A fundação confirmou que as análises realizadas em abril identificaram a presença de Pseudomonas aeruginosa e bactérias heterotróficas em alguns pontos da maternidade.

Segundo a fundação, foram realizadas imediatamente a limpeza e a desinfecção de reservatórios e caixas d’água, além de treinamentos com profissionais responsáveis pelos procedimentos de higienização. A instituição também declarou que não há registros de sintomas gastrointestinais entre servidores nem casos de infecção hospitalar relacionados ao episódio nos meses de abril e maio.

A reportagem procurou a Copasa, que informou não ter recebido comunicação oficial sobre eventual problema envolvendo a água fornecida à unidade e afirmou que as análises realizadas na rede que abastece a maternidade apresentaram resultados dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. A companhia destacou ainda que a bactéria Pseudomonas aeruginosa pode estar relacionada às instalações hidráulicas internas e aos reservatórios do imóvel, especialmente em ambientes hospitalares.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) também foi procurada para se posicionar sobre o assunto, mas não enviou resposta até a publicação da matéria.

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