'Tragédia é um chamado da natureza para que todos prestemos atenção', diz prefeita de Juiz de Fora
Margarida Salomão aponta que ocupação de áreas de risco atinge todas as classes sociais e aguarda apoio federal
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, descreveu a atual crise provocada pelas chuvas na Zona da Mata como um alerta sobre a ocupação urbana da região. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (27), ela ressaltou que a geografia da cidade, construída em área de serra, torna a ocupação de encostas um perigo generalizado. “Essa triste tragédia é, de certo modo, um chamado da natureza para que todos nós prestemos atenção. A cidade é construída na serra. As pessoas vão ocupando as encostas e não são só as pessoas pobres, mesmo a população mais afortunada vive em lugares que são de risco”, afirmou a prefeita.
A chefe do executivo fez um apelo emocional e técnico ao detalhar a situação crítica do município após os temporais que já deixaram 64 mortos. "A cidade é construída na serra. As pessoas vão ocupando as encostas e não são só as pessoas pobres; mesmo a população mais afortunada vive em lugares que são de risco”, afirmou.
A resistência da população em abandonar os imóveis, mesmo diante de perigos iminentes, é um dos maiores desafios para a administração municipal. Margarida Salomão destacou que o apego às residências reflete o esforço de uma vida inteira dos cidadãos. “Convencer as pessoas a largarem as suas casas é quase que pedir a elas que se arranquem dos seus próprios corpos. É um esforço, de fato, monstruoso esse que nós estamos fazendo; tem que ter muita paciência e capacidade de acolhimento para conseguir que as pessoas saiam”, explicou. Ela citou como exemplo o desmoronamento de uma mansão construída em uma encosta nesta quinta-feira (27), incidente que resultou em uma morte.
Atualmente, Juiz de Fora registra mais de 500 pessoas em abrigos públicos e cerca de 5 mil desalojados. O governo federal já liberou mais de R$ 3 milhões para a reconstrução da região e reconheceu o estado de calamidade pública nos municípios atingidos. Para este sábado (28), está prevista a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve sobrevoar as áreas afetadas e se reunir com lideranças locais. “[Ele] vai estar aqui amanhã para oferecer conforto à população e trazer recursos para que a gente possa reconstruir a cidade”, disse a prefeita. Enquanto o auxílio chega, o Inmet mantém o alerta de perigo para chuvas intensas de até 100 mm/dia na Zona da Mata até o final desta sexta-feira.