Sete anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, o início das audiências que buscam apontar os responsáveis pela tragédia trouxe um misto de alento e angústia aos familiares das vítimas. Entre as testemunhas presentes no primeiro dia de julgamento estava a professora Natália de Oliveira, de 54 anos, que perdeu a irmã, Lecilda de Oliveira, então funcionária da mineradora. A profissional da educação esclarece que o momento não é de “retaliação”, mas sim de busca por uma reparação histórica.
“O sentimento hoje é de voltar a ter esperança. A gente não está aqui querendo vingança, o que a gente quer é que ninguém mais passe pelo que nós passamos”, afirmou a professora.
Natália disse que tem como objetivo garantir que o Poder Judiciário não ignore o rosto humano por trás dos processos. “É muito importante a gente estar aqui para ser visto, porque durante todo esse processo nós não tivemos voz. Estamos aqui para dar voz pelos que já se foram e não estão aqui mais”.
A educadora criticou a assistência médica oferecida pela Vale. Segundo ela, muitos familiares e sobreviventes perdem o direito ao plano de saúde após um determinado período, ação que ela classifica como insuficiente diante das sequelas causadas pelo desastre.
A testemunha ainda defendeu que o direito ao plano de saúde seja ampliado e tornado permanente para todo o núcleo familiar e para os sobreviventes que estavam na área no momento do rompimento.
“Quem estava lá viveu um verdadeiro filme de terror. O meu clamor é que, além da indenização, cada sobrevivente e familiar tenha direito a um plano de saúde para cuidar não só da mente, mas do corpo também. A saúde nunca mais será a mesma”, conta.
O que dizem as empresas?
Entre os acusados estão as empresas Vale S.A. e TÜV SÜD, além de 15 ex-executivos e funcionários vinculados às companhias, que respondem por crimes ambientais e homicídios.
Por meio de nota, a TÜV SÜD prestou solidariedade às vítimas e famílias e disse estar “convencida” de que a empresa não possui responsabilidade legal “pelo acidente”. Segundo eles, “a causa técnica do acidente permanece incerta”. Ainda informaram que, conforme avaliação própria, a emissão das declarações de estabilidade pela TÜV SÜD Bureau cumpriu as leis e regulamentos.
Já a Vale, também em nota, reafirmou o respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reiterou o compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa informou não comentar ações judiciais em andamento.
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