CIÊNCIA

UFV mira produção de medicamentos no 1º banco genético de cannabis em universidade pública do Brasil

Pesquisadores poderão desenvolver medicamentos no espaço de quase um hectare

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 19/08/2026 às 15:57.Atualizado em 19/08/2026 às 15:59.
Exemplares de cannabis de diferentes partes do mundo serão identificados, catalogados e armazenados (Daniel Sotto Maior/Divulgação)
Exemplares de cannabis de diferentes partes do mundo serão identificados, catalogados e armazenados (Daniel Sotto Maior/Divulgação)

O primeiro banco genético de cannabis sativa em uma universidade pública do Brasil já está em funcionamento na Federal de Viçosa (UFV), na Zona da Mata. A inauguração ocorreu nessa terça-feira (18). No espaço de quase um hectare, os pesquisadores poderão desenvolver medicamentos, fibras, materiais de construção e recuperar solos degradados. Segundo os responsáveis, a planta tem potencial para se tornar uma nova commodity agrícola. 

O chamado Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa L. (BAGC/UFV) fica no campus Viçosa, no Vale da Agronomia. Lá, exemplares de diferentes locais do mundo serão identificados, catalogados e armazenados. Depois, ficam à disposição para cruzamentos genéticos que buscam características desejáveis para a criação de uma nova variedade adaptada. 

A Universidade Federal de Viçosa é uma das maiores referências em ciências agrárias do Brasil e abriga bancos de germoplasma de enorme importância científica e histórica, como o de Hortaliças, considerado o mais antigo do país (1966).

Esta expertise com bancos genéticos e a experiência do professor do curso de Agronomia Derly Henriques da Silva, como curador do Banco de Hortaliças por mais de 20 anos, levaram a UFV a conseguir medidas judiciais que, em 2024, permitiram legalmente a implementação do banco genético. 

'Planta comercialmente muito promissora', destaca pesquisador

Derly Henriques reforça que a cannabis é uma planta comercialmente muito promissora. Por ter raízes profundas, protege o solo e pode ser cultivada em áreas degradadas. A produção de biomassa ajuda no sequestro de gases causadores do efeito estufa. O crescimento rápido, com produção de flores em cerca de cinco meses, permite o consórcio com outras culturas, como nas entressafras da soja. 

Além disso, o caule e as folhas podem ser aproveitados para a obtenção de cânhamo, uma fibra usada na produção de roupas e até de materiais de construção. A semente é rica em proteínas e óleos, com potencial de aproveitamento para as indústrias alimentícia e farmacêutica. E nas flores estão os canabinoides, que chamam a atenção da indústria farmacêutica para a produção de medicamentos já comercializados em todo o mundo e para o desenvolvimento de novos tratamentos.

Atualmente, o Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa já conta com 68 variedades da biodiversidade brasileira. O objetivo é chegar a 500, coletando e classificando também exemplares de outros países.

Por ser uma planta capaz de gerar efeitos psicoativos, o local é protegido por equipamentos de segurança e monitorado constantemente pela Vigilância da Universidade. O apoio financeiro veio de um convênio com a empresa Cannabreed Technology Brasil Ltda.

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