Vai andar de patinete elétrica em BH? Saiba como identificar ‘vagas virtuais’ para estacionar
Após flagrantes de abandono e descarte irregular, empresa e Prefeitura reforçam que o encerramento das viagens deve ser feito exclusivamente em "estações virtuais" indicadas no aplicativo

Após o retorno das patinetes elétricas às ruas de Belo Horizonte, o descarte irregular dos equipamentos tem gerado queixas de pedestres e motoristas. Com 1,5 mil dispositivos em operação, flagrantes de patinetes "largados" em viadutos, ciclovias e sobre pisos táteis acenderam o alerta para a necessidade de orientação sobre o uso correto do sistema. Atualmente, a capital conta com mais de 1 mil zonas permitidas para o estacionamento, distribuídas nas regiões Centro-Sul e Oeste.
Diferente de modelos anteriores que utilizavam estações físicas, os equipamentos da empresa JET operam com o conceito de “estações virtuais”. De acordo com a operadora, o usuário deve consultar o mapa no aplicativo "GO JET" antes de encerrar a corrida. As áreas autorizadas são identificadas pela letra "E" e possuem uma delimitação específica ao redor.
“Os pontos de estacionamento são definidos por geolocalização dentro do aplicativo e podem ser consultados em tempo real no mapa. O usuário pode pegar o patinete em uma estação virtual e devolver em qualquer outra - o sistema é flexível nesse sentido. No entanto, o próprio aplicativo impede a finalização da corrida caso o usuário esteja fora de uma vaga virtual”, escreveu a empresa em nota.
Em nota, a Superintendência de Mobilidade de Belo Horizonte (Sumob) esclareceu que a devolução deve ser feita de forma segura, garantindo que o equipamento não bloqueie a calçada, o acesso a garagens ou a circulação de pedestres.
Segundo os termos de credenciamento junto à Prefeitura (PBH), a JET é responsável por recolher os dispositivos que estejam estacionados em locais que causem prejuízo à mobilidade ou ao ordenamento urbano.
Para auxiliar o usuário, as patinetes emitem orientações por áudio. Segundo a empresa, o alto-falante integrado avisa sobre a proibição de carregar passageiros e, ao fim da viagem, solicita que o estacionamento seja feito de forma organizada.
Patinetes ‘largados’ por BH
Apesar das travas tecnológicas, o desrespeito às normas de trânsito e de convivência tem sido frequente. Registros nas redes sociais mostram usuários trafegando na contramão, realizando manobras perigosas (como "dar grau") e transportando sacolas no guidão. Um vídeo gravado pelo influenciador Eduardo Piastrelli também mostra três patinetes que foram abandonadas na região do bairro Carlos Prates.
Para o professor do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG, Guilherme Leiva, é preciso ter uma logística rigorosa.
"O bom funcionamento tem que ter duas partes: a primeira é a própria concessionária, que deve, de tempos em tempos e ao fim do dia, redistribuir esses patinetes em locais de maior demanda. A segunda é o processo de educação do usuário, que precisa se acostumar a buscar áreas adequadas", explica Leiva.
Segundo o especialista, o ideal para prevenir acidentes e transtornos é que os equipamentos sejam deixados em partes da calçada onde não interrompam o fluxo de pedestres, evitando esquinas, meio-fio e, claro, a própria rua.
'Acredito que o povo de Belo Horizonte vai fazer tudo certinho', disse Damião
Na semana passada, em meio às discussões sobre regras, fiscalização e riscos à segurança com o retorno das patinetes elétricas em BH, o prefeito Álvaro Damião (União) que a expectativa era de uso consciente pela população, sem necessidade de punições. “Eu acredito que o povo de Belo Horizonte vai fazer tudo certinho”, disse.
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