‘Vida das meninas mineiras importa’: carreata ocupa ruas de BH contra a violência de gênero
Movimento manifestou forte repúdio à decisão que absolveu um homem de 35 anos do crime de estupro contra uma menina de 12 anos, sob o argumento de ‘constituição de núcleo familiar’

As ruas de Belo Horizonte foram tomadas, na manhã desta quinta-feira (12), por uma mobilização que uniu dezenas de veículos e manifestantes na “Carreata pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e Meninas”. O ato percorreu pontos da capital mineira para cobrar justiça, o fortalecimento de políticas públicas e a proteção integral de crianças e adolescentes no estado.
A concentração teve início às 7h, na Avenida Afonso Pena, em frente à sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O movimento manifestou forte repúdio a uma decisão recente que absolveu um homem de 35 anos do crime de estupro contra uma menina de 12 anos, sob o argumento de "constituição de núcleo familiar".
A carreata seguiu por um itinerário que mapeou os principais órgãos do sistema de justiça e segurança pública. O comboio passou pela Prefeitura de Belo Horizonte, seguiu por ruas centrais como Caetés e São Paulo, e fez paradas simbólicas em frente à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e ao Fórum Lafayette.
Durante o percurso, a mensagem principal foi estampada em faixas e ecoada em megafones: “A vida das meninas mineiras importa”. A mobilização uniu instituições públicas, organizações da sociedade civil e coletivos como o Grupo Mulheres do Brasil, o Instituto Mila e a Rede Um Grito Pela Vida.
"É uma carreata que reúne coletivos em Minas em prol do combate à violência contra as mulheres. A violência está crescendo no Estado. A ideia é convocar todos os mineiros, belo-horizontinos, o povo brasileiro. Não podemos bater palma para o que está acontecendo no nosso país.", afirmou Eliana Pameirão, co-fundadora do grupo Mulheres do Brasil, durante o ato.
A mobilização terminou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). No local, foi realizado um ato público marcado pela entrega da Carta Unificada de Compromissos e Reivindicações.
O documento, construído coletivamente pela Rede MG (Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Minas Gerais) e movimentos parceiros, exige a responsabilização rigorosa de agressores, a garantia de direitos previstos em lei e, sobretudo, o fim da revitimização de crianças no sistema judiciário.
Os manifestantes reforçaram que a carreata não é apenas um ato simbólico, mas um posicionamento político firme diante do aumento dos índices de violência doméstica e de gênero em Minas Gerais.
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