VÍDEO: 'uma vez a cada década', diz meteorologista sobre granizo que cobriu ruas de cidades mineiras
Registros foram feitos em Belo Vale, Barbacena e na Serra da Calçada; especialista diz que fenômeno é incomum para junho

As imagens de ruas cobertas por gelo, quintais completamente brancos e pedras de granizo de tamanho expressivo chamaram a atenção de moradores em diferentes regiões de Minas Gerais. Os registros foram feitos em Belo Vale, na região Central do estado, em Barbacena, no Campo das Vertentes, e também na Serra da Calçada, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, durante temporais que atingiram o território mineiro entre segunda (1º) e terça-feira (2).
Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizandro Gemiacki, o episódio é considerado atípico para esta época do ano. Junho figura estatisticamente entre os meses mais secos em Minas Gerais e eventos desse porte costumam ocorrer com baixa frequência. “É um cenário atípico. A frequência estatística de eventos como esse é bem baixa. Pela nossa experiência empírica, deve acontecer um em cada dez anos”, explicou o especialista.
Acumulado de gelo transforma paisagem mineira
Em Belo Vale, vídeos compartilhados nas redes sociais mostram ruas e terrenos cobertos por uma espessa camada branca de granizo. Em uma das imagens, um morador segura duas pedras de gelo que ocupam boa parte da palma de sua mão. Já em outra gravação, o granizo acumulado sobre vias públicas e áreas residenciais formou um cenário semelhante ao de neve.
Os registros em Barbacena também impressionaram pela intensidade. Diversas ruas ficaram tomadas por pedras de gelo após a tempestade que caiu durante a noite. Na Serra da Calçada, imagens feitas na manhã seguinte mostraram trechos de estradas ainda cobertos pelo granizo que resistiu ao amanhecer. Apesar do volume de gelo, o Corpo de Bombeiros informou que não localizou registros de acionamentos graves relacionados diretamente às consequências da chuva até o momento.
Nuvens severas e atuação de cavado atmosférico
De acordo com o meteorologista do Inmet, a formação das pedras de gelo ocorreu devido ao desenvolvimento de nuvens de tempestade muito intensas, conhecidas na ciência como cumulonimbus. A circulação atmosférica interna e as baixas temperaturas dentro dessas estruturas favoreceram o crescimento dos blocos de gelo, permitindo que eles chegassem ao solo sem derreter por completo.
O especialista atribui as tempestades à atuação de um cavado — uma área de baixa pressão atmosférica — que cruzou o estado e impulsionou o desenvolvimento de áreas de instabilidade sobre a região Centro-Sul, Zona da Mata e Grande BH.
Alerta de tempestade e transição para o frio
O Inmet mantém um alerta de tempestade válido até a noite desta quarta-feira (3) para diversas áreas mineiras. O aviso prevê os seguintes índices meteorológicos:
- Volume de chuva: Entre 20 e 30 milímetros por hora (ou até 50 milímetros por dia)
- Rajadas de vento: De até 60 km/h
- Fenômenos: Possibilidade de novas ocorrências isoladas de granizo
Ainda há chance de pancadas isoladas de chuva até a noite de quarta-feira. A partir de quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi, a chegada de uma massa de ar frio deve reduzir a instabilidade e encerrar o risco de temporais severos no estado, abrindo espaço para dias de céu aberto e queda acentuada nas temperaturas.
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